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Bitaites e instigações

Bilderberg 2015

Este ano cabe à luxuosa unidade hoteleira austríaca Interalpen-Hotel Tyrol receber o encontro anual do Clube Bilderberg. Tal como em 1988, esta estância de montanha acolhe o Clube sob o habitual secretismo e apertadas regras de segurança. As autoridades austríacas já fizeram saber que o espaço aéreo estará interdito num perímetro de 30 milhas.

A conferência Bilderberg 2015 está marcada para Junho, entre os dias 11 e 14, e a lista de convidados ainda não é conhecida. Como de costume entre os participantes teremos seguramente alguns dos mais importantes nomes americanos e europeus ligados ao mundo dos negócios, da polícia e da ciência.

A escolha da data não parece ser inocente, pois surge colada à reunião do G7 (agendada para os dias 7 e 8 de Junho, na Alemanha), apenas a três quilómetros da fronteira com a Áustria.

Os Bilderberg asseguram que são apenas um grupo pessoas influentes que debatem, com pessoas igualmente influentes, os grandes temas mundiais num ambiente descontraído e discreto, sem a pressão da imprensa e do politicamente correto.

Uma coisa é certa: sempre que este clube se reúne algo acontece na vida de todos nós! No caso português não podemos deixar de relembrar um par destas coincidências:

  1. junho de 2004, Santana Lopes e José Sócrates foram a uma destas reuniões. Um mês depois, Santana Lopes substituía Durão Barroso (que também foi a um encontro antes de se tornar primeiro-ministro);
  2. março de 2005, José Sócrates é eleito Primeiro-ministro.

Coincidência? Aguardemos.

Já falámos neste assunto aqui e aqui e vamos tentar dar conta de novidades.

 

Curiosidades

Bilderberg – 2014

Começou no Hotel Marriott de Copenhaga, na Dinamarca, uma nova edição das reuniões mais exclusivas e secretas. O grupo Bilderberg faz a sua reunião anual tendo na agenda questões como a crise na Ucrânia, o clima anti União Europeia que é transversal um pouco por toda a Europa e um novo acordo comercial transatlântico. Já aqui falámos neste tipo de eventos, mas nunca é de mais voltar ao tema da teoria da conspiração. Coincidência ou não, o partido dinamarquês de extrema-direita conseguiu um grande resultado nas últimas eleições europeias, tendo mesmo duplicado o número de deputados que tinha até agora.

O grupo Bilderberg nega quaisquer ilicitudes e secretismo sobre a sua atividade, mas a verdade é que cria um verdadeiro cenário de filme. Segurança apertada, atiradores em telhados de edifícios, veículos com vidros escurecidos…

Na conferência deste ano estão presentes 140 participantes de 22 países, entre os quais Francisco Pinto Balsemão, responsável pelos convites aos portugueses, o Ministro da Saúde e uma deputada do Parlamento português, assinalados a negro na lista que se segue.

Lista de Convidados da Reunião de 2014

Presidente

FRA, Henri de Castries, Presidente e CEO do Grupo AXA

 

ALE, Paul M. Achleitner, Presidente do Conselho Fiscal do Deutsche Bank AG

ALE, Josef Ackermann, Ex-CEO do Banco Alemão AG

GBR, Marcus Agius, Presidente não-executivo  do PA Consulting Group

FIN, Matti Alahuhta, membro do Conselho KONE, Presidente da Fundação da Universidade Aalto

GBR, Helen Alexander, Presidente da UBM plc

EUA, Keith B. Alexander,  Ex-comandante, Comandante cibernético dos EUA; Ex-Diretor da NSA

EUA,  Roger C. Altman, Presidente executivo da Evercore

FIN,  Matti Apunen, Diretor finlandês da Business and Policy Forum EVA

ALE, Jörg Asmussen, Secretário de Estado do Trabalho e dos Assuntos Sociais

HUN, Gordon Bajnai, ex-Primeiro-Ministro e Líder do Grupo Together 2014

GBR, Edward M. Balls, Chanceler do Tesouro

POR, Francisco Pinto Balsemão, Presidente da Impresa SGPS

FRA, François Baroin, Membro do Parlamento (UMP) e Prefeito de Troyes

FRA, Nicolas Partner Baverez, sócio da Gibson, Dunn & Crutcher LLP

EUA, Nicolas Berggruen, Presidente do Instituto Berggruen sobre Governança

ITA, Franco Bernabè, Presidente do FB Group SRL

DIN, Flemming Besenbacher, Presidente do Grupo Carlsberg

HOL, Ben van Beurden, CEO da Royal Dutch Shell plc

SUE, Carl Bildt, Ministro dos Negócios Estrangeiros

NOR, Svein Richard Brandtzæg, presidente e CEO da Norsk Hydro ASA

INT, Philip M. Breedlove, Comandante Supremo Aliado da Europa

AUS, Oscar Bronner, chefe da Verlagsgesellschaft mbH

SUE, Håkan Buskhe, Presidente e CEO da Saab AB

TUR, Cengiz Candar, Colunista Sénior da Al Monitorar e Radikal

ESP, Juan Luis Cebrián, Presidente Executivo do Grupo PRISA

FRA, Pierre-André de Chalendar, Presidente e CEO da Saint-Gobain

CAN, W. Edmund Clark, Presidente e CEO do Bank Group TD

INT, Benoît Coeuré, Membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu

IRL, Simon Coveney, Ministro da Agricultura da Alimentação e da Marinha

GBR, Cowper-Coles, Conselheiro Sénior da Sherard do Grupo Presidente CEO do grupo HSBC Holdings plc

BEL, Etienne Davignon, Ministro de Estado

EUA, Thomas E. Donilon, sócio Sénior da O’Melveny and Myers e ex-conselheiro da Segurança Nacional dos EUA

ALE, Mathias Döpfner, CEO da Axel Springer SE

GBR, Robert Dudley Chefe do Grupo Executivo do BP plc

FIN, Henrik Ehrnrooth, Presidente da Caverion Corporation, Otava e Pöyry PLC

ITA, John Elkann, Presidente da Fiat SpA

ALE, Thomas Enders, CEO do Grupo Airbus

DIN,  Ulrik Federspiel, Vice-Presidente Executivo da Haldor Topsoe SA

EUA, Martin S. Feldstein, Professor de Economia da Universidade de Harvard e Presidente Emérito da NBER

CAN, Brian Ferguson, Presidente e CEO da Cenovus Energy Inc.

GBR, Douglas J. Flint, Presidente do Grupo HSBC Holdings plc

ESP, José Manuel García-Margallo, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação

EUA, Michael Gfoeller, Consultor independente

TUR, Nilüfer Göle, Professor de Sociologia da École des Hautes Études en Sciences Sociales

EUA, Evan G. Greenberg, Presidente e CEO do grupo ACE

GBR, Justine Greening, Secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional

HOL, Victor Halberstadt, Professor de Economia da Universidade de Leiden

EUA, Susan Hockfield Presidente Emérita do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

NOR, Leif O. Høegh Presidente do Höegh Autoliners AS

NOR, Westye Høegh Conselheiro Sénior do Höegh Autoliners AS

EUA, Reid Hoffman, Co-Fundador e Presidente Executivo do LinkedIn

CHI, Yiping Huang, Professor de Economia da Escola Nacional de Desenvolvimento e da Universidade de Pequim

EUA, Shirley Ann Jackson, Presidente do Rensselaer Polytechnic Institute

EUA, Kenneth M. Jacobs, Presidente e CEO da Lazard

EUA, James A. Johnson, Presidente da Johnson Capital Partners

EUA, Alex Karp, CEO da Palantir Technologies

EUA, Bruce J. Katz, Vice-presidente e Co-Diretor do Programa de Política Metropolitana da The Brookings Institution

CAN, Jason T. Kenney, Ministro do Trabalho e Desenvolvimento Social

GBR, John Kerr, Vice-presidente da Scottish Power

EUA, Henry A. Kissinger, Presidente da Kissinger Associates, Inc.

EUA, Klaus Kleinfeld, Presidente e CEO da Alcoa

TUR, Mustafa Koç, Presidente da Koç Holding AS

DIN, Steffen Kragh, Presidente e CEO da Egmont

EUA, Henry R. Kravis, Co-Presidente e Co-CEO da Kohlberg Kravis Roberts & Co.

EUA, Marie-Josée Kravis, Membro Sénior e Vice-presidente do Instituto Hudson

SUI, André Kudelski, Presidente e CEO do Grupo Kudelski

INT, Christine Lagarde, Diretora do Fundo Monetário Internacional

BEL, Thomas Leysen, Presidente do Conselho de Administração do Grupo KBC

EUA, Cheng Li, Diretor da John L. Thornton China Center e The Brookings Institution

SUE, Tove Lifvendahl, Editora-chefe de Política da Svenska Dagbladet

CHI, He Liu, Ministro do Gabinete do Central Leading Group de Assuntos Econômicos e Financeiros

POR, Paulo Macedo, Ministro da Saúde

FRA, Emmanuel Macron, secretário-geral adjunto da presidência

ITA, Monica Maggioni, Editora chefe da Rainews24, RAI TV

GBR, Peter Mandelson, Presidente da Global Counsel LLP

EUA, Andrew McAfee, principal cientista pesquisaador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

POR, Inês de Medeiros, Deputada do Parlamento e membro do Partido Socialista

GBR, John Micklethwait, Editor-chefe do The Economist

GRE, Alexandra Mitsotaki, Presidente da ActionAid Hellas

ITA, Mario Monti, senador vitalício e presidente da Universidade Bocconi

EUA, Craig J. Mundie, Conselheiro Sénior do CEO da Microsoft Corporation

CAN, Heather Munroe-Blum, Professora de Medicina e Diretora (Presidente) Emérita da Universidade de McGill

EUA, Charles Murray, AWH Brady Scholar,  Instituto American Enterprise de Pesquisa de políticas Públicas

HOL, Princesa Beatriz da Holanda

ESP, Juan María Nin Génova,Vice-presidente e CEO da CaixaBank

FRA, Natalie Nougayrède, Diretora e Editora Executiva da Le Monde

DIN, Søren-Peter Olesen, Professor e Membro do Conselho de Administração da Fundação Carlsberg

FIN, Jorma Ollila, Presidente da Royal Dutch Shell plc e Presidente da Outokumpu Plc

TUR, Umut Oran, Vice-Presidente do Partido Republicano do Povo (CHP)

GBR, George Osborne, Chanceler do Tesouro

FRA, Fleur Pellerin, secretária de Estado para o Comércio Exterior

EUA, Richard N. Perle, membro residente do American Enterprise Institute

EUA, David H. Petraeus, Presidente do KKR Global Institute

CAN, Stephen S. Poloz, Diretor do Banco do Canadá

INT, Anders Fogh Rasmussen, Secretário-geral da NATO

DIN, Jørgen Huno Rasmussen, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Lundbeck

INT, Viviane Reding, Vice-presidente e Comissária para a Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania da Comissão Europeia

EUA, Kasim Reed, Mayor de Atlanta

CAN, Heather M. Reisman, Presidente e CEO da Indigo Books & Music Inc.

NOR, Eivind Reiten, Presidente, Klaveness Marine Holding AS

ALE, Norbert Röttgen, Presidente da Comissão dos Assuntos Externos, da German Bundestag

EUA, Robert E. Rubin, Co-Presidente do Conselho de Relações Exteriores; Ex-secretário do Tesouro

EUA, Eugene Rumer, Associado Sénior e Diretor do Russia and Eurasia Program, Carnegie Endowment for International Peace

NOR, Christian Rynning-Tønnesen, Presidente e CEO da Statkraft AS

HOL, Diederik M.Samsom, Líder Parlamentar PvdA (Partido Trabalhista)

GBR, John Sawers, Chefe do Serviço Secreto de Inteligência

HOL, Paul J. Scheffer, Autor e Professor de Estudos Europeus da Universidade Tilburg

HOL, Edith Schippers, Ministra da Saúde, Bem-Estar e Desporto

EUA, Eric E. Schmidt, Presidente executivo do Google Inc.

AUS, Rudolf Scholten, CEO da Oesterreichische Kontrollbank AG

EUA, Clara Shih, CEO e fundadora da Hearsay Social

FIN, Risto K. Siilasmaa, Presidente do Conselho de Administração e CEO interino da Nokia Corporation

ESP, Rainha da Espanha

EUA, Michael Spence, Professor de Economia da Universidade de Nova York

FIN, Kari Stadigh, Presidente e CEO da Sampo plc

EUA, Lawrence Summers, Professor da Universidade H. Charles W. Eliot e Universidade de Harvard

IRL, Peter D. Sutherland, Presidente da Goldman Sachs International e Representante Especial da ONU para as Migrações

SUE, Carl-Henric Svanberg, Presidente da Volvo AB e BP plc

TUR , A. Ümit Taftalı, Membro do Conselho da Suna e Inan Kiraç Foundation

EUA Peter A. Thiel, Presidente da Thiel Capital

DIN Henrik Topsoe, Presidente da Haldor Topsoe SA

GRE Loukas Tsoukalis, Presidente, Fundação Hellenic for European and Foreign Policy

NOR Jens Ulltveit-Moe, Fundador e CEO da Umoe SA

INT Ahmet Üzümcü, Diretor-Geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas

SUI Daniel L.Vasella, Presidente Honorário da Novartis Internacional

FIN Björn Wahlroos, Presidente da Sampo plc

SUE Jacob Wallenberg, Presidente e Investor da AB

SUE, Marcus Wallenberg, Presidente do Conselho de Administração da Skandinaviska Enskilda Banken AB

EUA Kevin M. Warsh,  Distinguished Visiting Fellow e Professor da Universidade Stanford

GBR Martin H. Wolf, comentarista-chefe de economia do The Financial Times

EUA James D. Wolfensohn, Presidente e CEO da Wolfensohn & Company

HOL Gerrit Zalm, Presidente do Conselho de Administração da ABN-AMRO Bank NV

GRE George Zanias, Presidente do Conselho do Banco Nacional da Grécia

EUA Robert B. Zoellick, Presidente do Conselho de Assessores Internacionais do The Goldman Sachs Group

 

Aqui fica o registo da participação lusa:

Agora é só aguardar e ver os que estes senhores decidem fazer com as nossas vidas.

Curiosidades

O Sonho Faz Hoje 50 Anos

Faz hoje 50 anos que foi proferido o famoso discurso de Martin Luther King Jr. I have a dream.

Eu tenho um sonho tornou-se numa das frases mais célebres e pertence a um dos grandes discursos da história recente que mudaram o mundo. O curioso é que esta frase não estava sequer prevista no discurso escrito para aquele dia 28 de agosto de 1963. A famosa frase foi acrescentada num momento de puro improviso, talvez devido ao fervor do instante. Os manifestantes dos direitos cívicos reunidos no Lincoln Memorial, em Washington, estavam a participar num momento de viragem histórica.

O discurso completo tem cerca de 17 minutos, mas o excerto abaixo é mais do que suficiente para perceber a importância da ocasião. É momentos destes que mudam o mundo e fazem dele um lugar melhor.

Para explorar um pouco mais esta temática poderão ir até aqui, mas se preferirem apreciar o discurso deixem-se ficar…

 

Curiosidades

Os Piores Ditadores da Era Moderna – Parte III

Aqui fica finalmente a terceira e última parte desta breve reflexão sobre alguns dos piores elementos da História que chegaram ao poder e conseguiram um lugar na história dos seus países ou mesmo da humanidade pelos piores motivos. Se já não se lembram bem do que foi dito, as outras duas partes estão aqui e aqui!

Começando esta última etapa da viagem pela Ásia, não podemos deixar de falar em Kim Il-Sung, o líder da Coreia do Norte desde a fundação do país em 1948 até à data da sua morte em 1994. Estabeleceu o culto da personalidade e o Juche, ou seja, a auto-suficiência, pelo que o seu regime acabou quase completamente com as viagens e trocas culturais entre a Coreia do Norte e o Ocidente.

Kim Il-sung

De acordo com a constituição do país é o Presidente Eterno da Coreia do Norte, sendo feriado as datas do seu nascimento e morte. Estas efemérides foram criadas pelo seu filho Kim Jong-II que o sucedeu no poder da Coreia do Norte até 2011. Este tornou o que era mau em algo pior e construiu um dos regimes mais opressores da atualidade e muito possivelmente da História. A figura do Estimado Líder está omnipresente e usou a sua força para manter a população sob um rígido controlo debaixo das exigências do partido comunista. Parece o decalque das ideias centrais do livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell, mas é a pura e triste realidade.

Kim Jong-II

O pior é que este filme de horror não terminou com a morte do seu protagonista! Após a morte de Kim Jong-II sucedeu-lhe um dos filhos, Kim Jong-un, numa espécie de monarquia, mas em comunista. O puto é o orgulho da família!

Kim Jong-un

Das várias aberrações do regime e da eterna guerra com a Coreia do Sul não podemos deixar de lembrar a lista dos cortes de cabelo permitidos, a qual foi tornada pública recentemente, aplicando-se tanto a homens…

coreia2

…como a senhoras.

North Korean hairstyles in a salon

Uma dezena de modelos para homens e 18 para senhoras, para não terem do que se queixar. Uns e outros sempre nos píncaros das novas tendências em termos de moda. Se repararem, o penteado do líder não respeita esta nova imposição. Há sempre exceções, olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço! De acrescentar ainda que aos norte-coreanos que tentem fugir do país ou usem telemóveis é-lhes sentenciada a pena de morte. Há dúvidas?

Muito recentemente, em 2010, a Primavera Árabe trouxe ventos de forte mudança em muitos regimes totalitários. O primeiro a sentir essa brisa foi Zine El Abidine Ben Ali, líder da Tunísia, se bem se lembram. Após um estudante em protesto se ter imolado pelo fogo o que parecia mais uma morte revelou ser uma brisa, a qual ganhou força transformando-se num vento colossal, depois cresceu e apareceu um tufão enorme que soprou por todo o Norte de África e foi mais além e ao que parece ainda não parou…

zine-el-abidine-ben-ali-tunisie

Estes ventos chegaram não muito tempo depois à Líbia, apesar da forte resistência de Muammar Kadafi. Este é igualmente um desses casos em que a força do povo se sobrepôs à força de um regime bem sedimentado. Quarenta anos de regime não foram suficientes para travar os militantes da oposição que lutaram para libertar o país de um regime autoritário capaz das maiores atrocidades contra o seu próprio povo. Este é, com efeito, um traço muito comum. Teve um triste e merecido fim, morto às mãos do povo de forma vil e inglória. Morreu, talvez, como sempre viveu!

Muammar Kadafi

Outro abominável regime é o do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Este dirigente ocupa o cargo desde 2000, altura em que prometeu uma maior abertura política, porém não foi o que aconteceu. Apesar da violência extrema como forma de repressão, a população revoltou-se e veio para a rua em diversos protestos que começaram por alturas da Primavera Árabe e ainda não tiveram fim. Os opositores deste regime são igualmente oprimidos com violência pelo governo e o último balanço divulgado pela ONU contabiliza mais de 2,2 mil mortos pelas forças militares de Bashar al-Assad. Uma barbaridade à vista de todos que parece não ter fim à vista. O que não falta são atropelos da pior espécie e a comunidade internacional faz de conta que o que se passa não é assim tão grave. Há suspeitas cada vez mais evidentes do uso de armas químicas, mas é como se nada fosse. Por muito menos já se invadiram países!

Bashar al-Assad

Outro líder que abanou com os ventos da Primavera Árabe foi Hosni Mubarak, antigo presidente do Egipto. Pelo que se diz, este ex-Presidente possui 70 mil milhões de dólares (48 mil milhões de euros) para gastar durante a sua reforma. A ser verdade, é de longe o ditador mais rico do mundo com uma grande vantagem sobre os demais. Só para termos noção, Bill Gates tem uma fortuna avaliada em 53 mil milhões de dólares (cerca de 36 mil milhões de euros). Ainda dizem que o crime não compensa…

Merkel Meets With Egyptian President Mubarak

 

Do que fica dito torna possível traçar alguns perfis e não deixa de ser curioso que ao longo da História sempre tenha havido sujeitos que devido às suas posições se deixaram cegar pelo poder que o Poder lhes deu. Alguns deles chegaram ao poder de forma notável e perfeitamente legítima, ascenderam ao cargo de dirigente máximo de um Estado ou nação através de meios legais e, uma vez no poder, gradualmente dissolveram as restrições constitucionais que tal lei lhes estabelecia.

Facto é que indivíduos muito diferentes são descritos como ditadores. Alguns começaram como ministros de governos legalmente estabelecidos, como foi o caso de António Oliveira Salazar, outros entraram logo como ditadores, como Manuel Noriega, ou estratocratas, como Francisco Franco, ou mesmo até comunistas como Fidel Castro.

Há alguns traços comuns a muitos deles. O que se nota com mais facilidade é a brutalidade e opressão com que governam, sendo comum aos ditadores perseguirem seus oponentes ou dissidentes do regime. Outro traço recorrente é a megalomania, já que muitos ditadores instituem um culto à personalidade e se autoconcedem títulos grandiloquentes.

Outro facto curioso é que a associação entre ditadores e militares também é muito comum. Muitos ditadores acham uma certa graça apresentar-se em público com o seu fardamento militar, mesmo que nunca tenham tido uma carreira militar. Será que é para mostrar ao mundo que seu poder foi instituído pela força das armas?

Muitos outros caberiam aqui, mesmo alguns nomes discutíveis como Alberto João Jardim, o major Valentim Loureiro, Pinto da Costa, ou ainda qualquer outra pessoa agarrada a um lugar de poder, sobretudo nas instituições públicas que a tal lei de limitação de mandatos parece não conseguir despegar. Até se pode dizer mais: no limite, vivemos a ditadura perfeita onde pensamos e agimos livremente dando-nos a sensação de que podemos escolher. A prova? A ditadura actual imposta pela escolha ininterrupta entre dois partidos. É preferível pensar que a escolha é nossa, certo?

Lembro apenas que em meados do mês de maio deste ano o mundo acordou um pouquinho melhor com a notícia da morte de Jorge Rafael Videla, antigo ditador argentino. Sempre que a morte nos liberta destes seres há mais um raio de esperança a despontar. Tal como aos outros, que a terra lhe seja igualmente pesada.

Aos que já foram e aos que estão por ir só posso lembrar a citação latina: Sic semper tyrannis.

Bitaites e instigações

Bilderberg

Confesso que há cerca de um mês estive mesmo para vos trazer a este espaço uma breve exposição sobre o grupo Bilderberg. Não é nenhum grupo de baile ou rockeiro, mas dá-nos música para dançarmos sem que disso tenhamos noção. Estive até para antecipar o que está a acontecer em termos políticos, ou seja, a queda do Governo, mas pareceu-me demasiado pretensioso e, além do mais, não pretendia ser o arauto da desgraça. Dadas as circunstâncias creio que merecem esta modesta reflexão.

O Grupo Bilderberg

A convicção de muitos é que o grupo Bilderberg governa o mundo mediante a sua enorme influência quanto ao rumo da economia. Mais, pretende instalar um Governo a nível mundial, a denominada Nova Ordem Mundial. Para isso influi, ainda que indiretamente, nos diferentes Governos e nas empresas ou grupos económicos mais importantes ao ponto de condicionar a evolução de preços e mesmo as transações. É tudo feito por debaixo da mesa, em jogadas de bastidor, ora pois. Por outro lado, há quem defenda que se trata apenas de um grupo de reflexão, uma associação de elites cujo propósito não é senão discutir os males do mundo.

As dúvidas persistem há 59 anos – data da primeira reunião – até porque este grupo não existe formalmente, nem tão-pouco tem organigrama oficial. As reuniões são sempre à porta fechada não sendo publicadas nem promovidas. Se antes era fácil passar despercebido aos media, nos dias de hoje essa tarefa tem sido bem mais difícil. Nestes encontros estão presentes as pessoas mais poderosas e influentes (ou os seus representantes) da Europa, Estados Unidos e Canadá. No entanto há excepções concedidas a alguns russos, japoneses e chineses, sobretudo após a década de 70.

Ele é banqueiros, milionários, donos das maiores companhias petrolíferas, magnatas da comunicação social, membros de certas casas reais, presidentes de multinacionais (especialmente da indústria automóvel) e políticos, sejam presidentes, primeiros-ministros, ex-governantes ou até alguns funcionários europeus. É como se costuma dizer: la crème de la crème.

Dei com este grupo há pelo menos dois anos e claro que me intrigou bastante. Andei a ler umas coisas, mas fiquei à espera que não fossem mais do que meras teorias da conspiração. Provavelmente não passam disso mesmo, mas as coisas vão acontecendo, quando mais não seja por coincidência. Acontece que há menos de um mês este grupo se reuniu discretamente como sempre. Coincidência ou não apenas a SIC apresentou a notícia, pelo que julgo saber. Isto até se percebe se atentarmos num dos membros da cúpula dirigente da organização: Francisco Pinto Balsemão, com presença desde 1981 de forma ininterrupta. Foi ele quem organizou num hotel de luxo no concelho de Sintra, em 1999, o único encontro realizado em Portugal e é ele quem está encarregado de escolher e convidar todos os anos os participantes portugueses. Outro facto curioso é que este membro este ano convidou dois políticos portugueses: António José Seguro e Paulo Portas. O primeiro, a semana passada, fez passar algumas medidas no parlamento com a ajuda do segundo. O segundo manda por estes dias o Governo ao chão e muito possivelmente fará parte do próximo Governo com o primeiro. Coincidência? Talvez! Há ainda a registar a presença do cherne, ou seja, Durão Barroso, mas do que se lá falou não há conhecimento.

mgangelo

Outras Sociedades Secretas

Há uma série de outras sociedades secretas, algumas com características diferentes do grupo Bilderberg. De qualquer modo a essência é muito semelhante. Para os mais curiosos aqui fica o apanhado de algumas delas:

Skull and Bones – esta sociedade foi fundada em 1832 na Universidade de Yale. Os encontros são feitos num edifício conhecido como o túmulo. No mínimo sugestivo!

Franco-maçonaria ou Maçonaria – fundada em 1717 é facilmente identificada graças aos seus símbolos relativos à arquitetura, nomeadamente o compasso e o esquadro.

Rosa-cruz – a sua fundação no século XVII ficou a dever-se a um grupo de protestantes. Teve uma enorme influência na maçonaria e foi muito importante durante o Iluminismo.

Ordo Templis Orientis – esta ordem foi criada pelo inglês Aleister Crowley e baseia-se na Thelema, algo entre uma filosofia e uma religião. Envolve rituais muitíssimo estilizados, como por exemplo padres virgens.

Ordem Hermética da Aurora Dourada – baseia-se essencialmente nos textos sagrados conhecidos como Documentos Sagrados, os quais foram traduzidos para o inglês de uma forma algo misteriosa.

Templários – as origens desta Ordem Militar de Cavalaria são antiquíssimas. Ao que parece, esta Ordem está na origem do Convento de Cristo, em Tomar.

Illuminati – fundada em 1776, esta Ordem é conhecida por acolher muitos intelectuais. O seu símbolo, um olho no topo de uma pirâmide, aparece na nota de dólar e, para muitos, será responsável pela tal Nova Ordem Mundial.

Opus Dei – o padre católico Josemaría Escrivá fundou esta organização em 1928 que se pauta pela crença e prática rígidas das tradições da Igreja.

Qualquer uma destas histórias dava para o enredo de um romance de Dan Brown. De facto, algumas delas até deram e claro está que cada um acredita no que quer. Uma coisa é certa, como dizem dos galegos, Eu non creo nas meigas, mais habelas, hainas.