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Bem-estar

Lista de tarefas para as férias de verão

Deste lado do mundo começaram as férias escolares que vão durar quase todo o verão. Ai, que belos tempos! É, pois, tempo de fazer tudo ou de não fazer nada, porque tempo é coisa que, em princípio, não vai faltar!

A pensar nesta época especial, um professor italiano presenteou recentemente os seus alunos com uma lista de tarefas a fazer durante o verão. Isto não parece nada bom, mas começando a ler essa lista depressa se percebe a sua importância e profundidade a tal ponto que a internet se encarregou de a tornar viral, como agora acontece e se diz no espaço virtual, graças a um número louco de “Gosto” e de partilhas.

Numa tradução livre e pilhada do ciberespaço aqui fica, na esperança de que possa de alguma forma servir de inspiração a quem a lê:

1. Pela manhã, caminha pela praia em total solidão, presta atenção ao reflexo do sol na água, pensa no que mais gostas na vida e sente-te feliz.

2. Tenta usar todos os novos termos aprendidos este ano: quanto mais coisas dizes, mais coisas podes imaginar e quanto mais coisas podes imaginar, mais livre te sentirás.

3. Lê tudo o que puderes. Mas não porque tens que fazê-lo. Lê porque o verão inspira sonhos e aventuras e lendo sentir-te-ás como as andorinhas a voar. Lê porque é a melhor forma de rebelião que tens (se quiseres uma sugestão de leitura, pergunta-me).

4. Evita todas as coisas, situações e pessoas que te influenciam negativamente e te fazem sentir vazio: busca as situações desafiadoras e a boa companhia dos amigos que te enriquecem, que te entendem e que te apreciam pelo que és.

5. Se te sentires triste ou com medo, não te preocupes: o verão, como todas as coisas maravilhosas, coloca a alma em tumulto. Tenta escrever um diário onde traduzas os teus sentimentos em palavras (em setembro, se te apetecer, podemos lê-lo juntos).

6. Dança sem vergonha. Na pista de dança ou em casa. O verão é uma dança e seria tolice não participares dela.

7. Ao menos uma vez, vai assistir ao amanhecer de um novo dia. Permanece em silêncio e respira. Fecha os olhos e sente-te agradecido.

8. Faz muito desporto.

9. Se encontrares uma pessoa que te encante, diz-lhe com toda a sinceridade e graça que és capaz. Pouco importa se ele/ela vai perceber ou não. Se não perceber, é porque ele/ela não era o teu destino. Caso contrário, o verão de 2015 será a grande oportunidade de caminharem juntos (se isso der errado, volta ao passo 8).

10. Sobre as anotações das nossas aulas: para cada autor e cada conceito, faz perguntas a ti mesmo e reflete sobre o que desperta em ti.

11. Sê alegre como o sol e indomável como o mar.

12. Não digas palavras rudes e sê sempre educado e amável.

13. Vê filmes com diálogos pungentes (preferencialmente em inglês) para melhorar as tuas habilidades linguísticas e a tua capacidade de sonhar. Não deixes que o filme se acabe com os créditos: revive-o enquanto dura o verão.

14. Nos dias ensolarados ou nas noites quentes, sonha como pode e deve ser a tua vida. Enquanto durar o verão, reúne toda a força que necessites para não renunciar a isso que queres e faz todo o possível para perseguir este sonho.

15. Sê bom.

Sorte destes alunos que podem privar com um professor tão talentoso!

Se precisarem de mais ideias e inspiração, podem encontrá-las facilmente no filme «Clube dos Poetas Mortos», protagonizado por Robin Williamns, o eterno professor Keating. Aqui fica um cheirinho.

Bitaites e instigações

Bilderberg 2015

Este ano cabe à luxuosa unidade hoteleira austríaca Interalpen-Hotel Tyrol receber o encontro anual do Clube Bilderberg. Tal como em 1988, esta estância de montanha acolhe o Clube sob o habitual secretismo e apertadas regras de segurança. As autoridades austríacas já fizeram saber que o espaço aéreo estará interdito num perímetro de 30 milhas.

A conferência Bilderberg 2015 está marcada para Junho, entre os dias 11 e 14, e a lista de convidados ainda não é conhecida. Como de costume entre os participantes teremos seguramente alguns dos mais importantes nomes americanos e europeus ligados ao mundo dos negócios, da polícia e da ciência.

A escolha da data não parece ser inocente, pois surge colada à reunião do G7 (agendada para os dias 7 e 8 de Junho, na Alemanha), apenas a três quilómetros da fronteira com a Áustria.

Os Bilderberg asseguram que são apenas um grupo pessoas influentes que debatem, com pessoas igualmente influentes, os grandes temas mundiais num ambiente descontraído e discreto, sem a pressão da imprensa e do politicamente correto.

Uma coisa é certa: sempre que este clube se reúne algo acontece na vida de todos nós! No caso português não podemos deixar de relembrar um par destas coincidências:

  1. junho de 2004, Santana Lopes e José Sócrates foram a uma destas reuniões. Um mês depois, Santana Lopes substituía Durão Barroso (que também foi a um encontro antes de se tornar primeiro-ministro);
  2. março de 2005, José Sócrates é eleito Primeiro-ministro.

Coincidência? Aguardemos.

Já falámos neste assunto aqui e aqui e vamos tentar dar conta de novidades.

 

Curiosidades

Bilderberg – 2014

Começou no Hotel Marriott de Copenhaga, na Dinamarca, uma nova edição das reuniões mais exclusivas e secretas. O grupo Bilderberg faz a sua reunião anual tendo na agenda questões como a crise na Ucrânia, o clima anti União Europeia que é transversal um pouco por toda a Europa e um novo acordo comercial transatlântico. Já aqui falámos neste tipo de eventos, mas nunca é de mais voltar ao tema da teoria da conspiração. Coincidência ou não, o partido dinamarquês de extrema-direita conseguiu um grande resultado nas últimas eleições europeias, tendo mesmo duplicado o número de deputados que tinha até agora.

O grupo Bilderberg nega quaisquer ilicitudes e secretismo sobre a sua atividade, mas a verdade é que cria um verdadeiro cenário de filme. Segurança apertada, atiradores em telhados de edifícios, veículos com vidros escurecidos…

Na conferência deste ano estão presentes 140 participantes de 22 países, entre os quais Francisco Pinto Balsemão, responsável pelos convites aos portugueses, o Ministro da Saúde e uma deputada do Parlamento português, assinalados a negro na lista que se segue.

Lista de Convidados da Reunião de 2014

Presidente

FRA, Henri de Castries, Presidente e CEO do Grupo AXA

 

ALE, Paul M. Achleitner, Presidente do Conselho Fiscal do Deutsche Bank AG

ALE, Josef Ackermann, Ex-CEO do Banco Alemão AG

GBR, Marcus Agius, Presidente não-executivo  do PA Consulting Group

FIN, Matti Alahuhta, membro do Conselho KONE, Presidente da Fundação da Universidade Aalto

GBR, Helen Alexander, Presidente da UBM plc

EUA, Keith B. Alexander,  Ex-comandante, Comandante cibernético dos EUA; Ex-Diretor da NSA

EUA,  Roger C. Altman, Presidente executivo da Evercore

FIN,  Matti Apunen, Diretor finlandês da Business and Policy Forum EVA

ALE, Jörg Asmussen, Secretário de Estado do Trabalho e dos Assuntos Sociais

HUN, Gordon Bajnai, ex-Primeiro-Ministro e Líder do Grupo Together 2014

GBR, Edward M. Balls, Chanceler do Tesouro

POR, Francisco Pinto Balsemão, Presidente da Impresa SGPS

FRA, François Baroin, Membro do Parlamento (UMP) e Prefeito de Troyes

FRA, Nicolas Partner Baverez, sócio da Gibson, Dunn & Crutcher LLP

EUA, Nicolas Berggruen, Presidente do Instituto Berggruen sobre Governança

ITA, Franco Bernabè, Presidente do FB Group SRL

DIN, Flemming Besenbacher, Presidente do Grupo Carlsberg

HOL, Ben van Beurden, CEO da Royal Dutch Shell plc

SUE, Carl Bildt, Ministro dos Negócios Estrangeiros

NOR, Svein Richard Brandtzæg, presidente e CEO da Norsk Hydro ASA

INT, Philip M. Breedlove, Comandante Supremo Aliado da Europa

AUS, Oscar Bronner, chefe da Verlagsgesellschaft mbH

SUE, Håkan Buskhe, Presidente e CEO da Saab AB

TUR, Cengiz Candar, Colunista Sénior da Al Monitorar e Radikal

ESP, Juan Luis Cebrián, Presidente Executivo do Grupo PRISA

FRA, Pierre-André de Chalendar, Presidente e CEO da Saint-Gobain

CAN, W. Edmund Clark, Presidente e CEO do Bank Group TD

INT, Benoît Coeuré, Membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu

IRL, Simon Coveney, Ministro da Agricultura da Alimentação e da Marinha

GBR, Cowper-Coles, Conselheiro Sénior da Sherard do Grupo Presidente CEO do grupo HSBC Holdings plc

BEL, Etienne Davignon, Ministro de Estado

EUA, Thomas E. Donilon, sócio Sénior da O’Melveny and Myers e ex-conselheiro da Segurança Nacional dos EUA

ALE, Mathias Döpfner, CEO da Axel Springer SE

GBR, Robert Dudley Chefe do Grupo Executivo do BP plc

FIN, Henrik Ehrnrooth, Presidente da Caverion Corporation, Otava e Pöyry PLC

ITA, John Elkann, Presidente da Fiat SpA

ALE, Thomas Enders, CEO do Grupo Airbus

DIN,  Ulrik Federspiel, Vice-Presidente Executivo da Haldor Topsoe SA

EUA, Martin S. Feldstein, Professor de Economia da Universidade de Harvard e Presidente Emérito da NBER

CAN, Brian Ferguson, Presidente e CEO da Cenovus Energy Inc.

GBR, Douglas J. Flint, Presidente do Grupo HSBC Holdings plc

ESP, José Manuel García-Margallo, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação

EUA, Michael Gfoeller, Consultor independente

TUR, Nilüfer Göle, Professor de Sociologia da École des Hautes Études en Sciences Sociales

EUA, Evan G. Greenberg, Presidente e CEO do grupo ACE

GBR, Justine Greening, Secretária de Estado para o Desenvolvimento Internacional

HOL, Victor Halberstadt, Professor de Economia da Universidade de Leiden

EUA, Susan Hockfield Presidente Emérita do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

NOR, Leif O. Høegh Presidente do Höegh Autoliners AS

NOR, Westye Høegh Conselheiro Sénior do Höegh Autoliners AS

EUA, Reid Hoffman, Co-Fundador e Presidente Executivo do LinkedIn

CHI, Yiping Huang, Professor de Economia da Escola Nacional de Desenvolvimento e da Universidade de Pequim

EUA, Shirley Ann Jackson, Presidente do Rensselaer Polytechnic Institute

EUA, Kenneth M. Jacobs, Presidente e CEO da Lazard

EUA, James A. Johnson, Presidente da Johnson Capital Partners

EUA, Alex Karp, CEO da Palantir Technologies

EUA, Bruce J. Katz, Vice-presidente e Co-Diretor do Programa de Política Metropolitana da The Brookings Institution

CAN, Jason T. Kenney, Ministro do Trabalho e Desenvolvimento Social

GBR, John Kerr, Vice-presidente da Scottish Power

EUA, Henry A. Kissinger, Presidente da Kissinger Associates, Inc.

EUA, Klaus Kleinfeld, Presidente e CEO da Alcoa

TUR, Mustafa Koç, Presidente da Koç Holding AS

DIN, Steffen Kragh, Presidente e CEO da Egmont

EUA, Henry R. Kravis, Co-Presidente e Co-CEO da Kohlberg Kravis Roberts & Co.

EUA, Marie-Josée Kravis, Membro Sénior e Vice-presidente do Instituto Hudson

SUI, André Kudelski, Presidente e CEO do Grupo Kudelski

INT, Christine Lagarde, Diretora do Fundo Monetário Internacional

BEL, Thomas Leysen, Presidente do Conselho de Administração do Grupo KBC

EUA, Cheng Li, Diretor da John L. Thornton China Center e The Brookings Institution

SUE, Tove Lifvendahl, Editora-chefe de Política da Svenska Dagbladet

CHI, He Liu, Ministro do Gabinete do Central Leading Group de Assuntos Econômicos e Financeiros

POR, Paulo Macedo, Ministro da Saúde

FRA, Emmanuel Macron, secretário-geral adjunto da presidência

ITA, Monica Maggioni, Editora chefe da Rainews24, RAI TV

GBR, Peter Mandelson, Presidente da Global Counsel LLP

EUA, Andrew McAfee, principal cientista pesquisaador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

POR, Inês de Medeiros, Deputada do Parlamento e membro do Partido Socialista

GBR, John Micklethwait, Editor-chefe do The Economist

GRE, Alexandra Mitsotaki, Presidente da ActionAid Hellas

ITA, Mario Monti, senador vitalício e presidente da Universidade Bocconi

EUA, Craig J. Mundie, Conselheiro Sénior do CEO da Microsoft Corporation

CAN, Heather Munroe-Blum, Professora de Medicina e Diretora (Presidente) Emérita da Universidade de McGill

EUA, Charles Murray, AWH Brady Scholar,  Instituto American Enterprise de Pesquisa de políticas Públicas

HOL, Princesa Beatriz da Holanda

ESP, Juan María Nin Génova,Vice-presidente e CEO da CaixaBank

FRA, Natalie Nougayrède, Diretora e Editora Executiva da Le Monde

DIN, Søren-Peter Olesen, Professor e Membro do Conselho de Administração da Fundação Carlsberg

FIN, Jorma Ollila, Presidente da Royal Dutch Shell plc e Presidente da Outokumpu Plc

TUR, Umut Oran, Vice-Presidente do Partido Republicano do Povo (CHP)

GBR, George Osborne, Chanceler do Tesouro

FRA, Fleur Pellerin, secretária de Estado para o Comércio Exterior

EUA, Richard N. Perle, membro residente do American Enterprise Institute

EUA, David H. Petraeus, Presidente do KKR Global Institute

CAN, Stephen S. Poloz, Diretor do Banco do Canadá

INT, Anders Fogh Rasmussen, Secretário-geral da NATO

DIN, Jørgen Huno Rasmussen, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Lundbeck

INT, Viviane Reding, Vice-presidente e Comissária para a Justiça, Direitos Fundamentais e Cidadania da Comissão Europeia

EUA, Kasim Reed, Mayor de Atlanta

CAN, Heather M. Reisman, Presidente e CEO da Indigo Books & Music Inc.

NOR, Eivind Reiten, Presidente, Klaveness Marine Holding AS

ALE, Norbert Röttgen, Presidente da Comissão dos Assuntos Externos, da German Bundestag

EUA, Robert E. Rubin, Co-Presidente do Conselho de Relações Exteriores; Ex-secretário do Tesouro

EUA, Eugene Rumer, Associado Sénior e Diretor do Russia and Eurasia Program, Carnegie Endowment for International Peace

NOR, Christian Rynning-Tønnesen, Presidente e CEO da Statkraft AS

HOL, Diederik M.Samsom, Líder Parlamentar PvdA (Partido Trabalhista)

GBR, John Sawers, Chefe do Serviço Secreto de Inteligência

HOL, Paul J. Scheffer, Autor e Professor de Estudos Europeus da Universidade Tilburg

HOL, Edith Schippers, Ministra da Saúde, Bem-Estar e Desporto

EUA, Eric E. Schmidt, Presidente executivo do Google Inc.

AUS, Rudolf Scholten, CEO da Oesterreichische Kontrollbank AG

EUA, Clara Shih, CEO e fundadora da Hearsay Social

FIN, Risto K. Siilasmaa, Presidente do Conselho de Administração e CEO interino da Nokia Corporation

ESP, Rainha da Espanha

EUA, Michael Spence, Professor de Economia da Universidade de Nova York

FIN, Kari Stadigh, Presidente e CEO da Sampo plc

EUA, Lawrence Summers, Professor da Universidade H. Charles W. Eliot e Universidade de Harvard

IRL, Peter D. Sutherland, Presidente da Goldman Sachs International e Representante Especial da ONU para as Migrações

SUE, Carl-Henric Svanberg, Presidente da Volvo AB e BP plc

TUR , A. Ümit Taftalı, Membro do Conselho da Suna e Inan Kiraç Foundation

EUA Peter A. Thiel, Presidente da Thiel Capital

DIN Henrik Topsoe, Presidente da Haldor Topsoe SA

GRE Loukas Tsoukalis, Presidente, Fundação Hellenic for European and Foreign Policy

NOR Jens Ulltveit-Moe, Fundador e CEO da Umoe SA

INT Ahmet Üzümcü, Diretor-Geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas

SUI Daniel L.Vasella, Presidente Honorário da Novartis Internacional

FIN Björn Wahlroos, Presidente da Sampo plc

SUE Jacob Wallenberg, Presidente e Investor da AB

SUE, Marcus Wallenberg, Presidente do Conselho de Administração da Skandinaviska Enskilda Banken AB

EUA Kevin M. Warsh,  Distinguished Visiting Fellow e Professor da Universidade Stanford

GBR Martin H. Wolf, comentarista-chefe de economia do The Financial Times

EUA James D. Wolfensohn, Presidente e CEO da Wolfensohn & Company

HOL Gerrit Zalm, Presidente do Conselho de Administração da ABN-AMRO Bank NV

GRE George Zanias, Presidente do Conselho do Banco Nacional da Grécia

EUA Robert B. Zoellick, Presidente do Conselho de Assessores Internacionais do The Goldman Sachs Group

 

Aqui fica o registo da participação lusa:

Agora é só aguardar e ver os que estes senhores decidem fazer com as nossas vidas.

Curiosidades

O raio dos putos! – Parte I

Apesar de não ser inédito, a massificação e a livre distribuição da informação tem por vezes este efeito perverso de desinformar as pessoas. Uma vez mais, atribui-se a um belo texto uma falsa autoria, não sei se para legitimar a beleza do próprio texto ou se por mera insegurança de quem de facto o escreveu. Em todo o caso, para mim continua a ser a melhor definição que conheço de filho e permitam-me partilhá-la convosco.

«Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar os nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar a agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo!»

Muitos jurarão a pés juntos que o autor é Saramago, mas não parece que assim seja e quem duvidar pode tirar as dúvidas aqui.

A famosa frase de Fernando Pessoa no poema Liberdade, «o melhor do mundo são as crianças», creio que diz tudo. São de facto seres temíveis, mas muitas vezes o farol dos adultos. Em todo o caso é preciso atenção, pois quando se manda vir uma nunca se sabe muito bem o que vai calhar em sorte. É uma espécie de lotaria.

Há casos em que a coisa corre especialmente bem e aqui ficam alguns dos prodígios que poderão, quem sabe, mudar o nosso mundo e não apenas o mundo dos seus progenitores.

O primeiro deles é um menino britânico de dois anos. Adam Kirby tem um QI de 141, o que está a apenas quatro pontos de ser considerado génio. Ainda assim encontra-se num seleto grupo de apenas 2% da população mundial e tem um QI 10 pontos mais elevado do que David Cameron e Barack Obama. Tornou-se o mais novo membro da Mensa, uma sociedade formada apenas por pessoas com um elevado QI.

Este miúdo leu o seu primeiro livro com apenas um ano, agora já lê Shakespeare e compreende japonês, espanhol e francês. Consegue soletrar 100 palavras e conhece os seus horários, tendo mesmo memorizado a tabela periódica. Para quê perder tempos a aprender a gatinhar ou a pôr-se de pé?

Adam Kirby

Maximilian Janisch é um jovem prodígio para quem a matemática é uma brincadeira e não é coisas do tipo 2+2, aquilo mete letras, parêntesis e sei lá mais o quê! Com apenas 10 anos este puto suíço concluiu as provas de bacharelato em matemática com a nota máxima e vai frequentar um curso especial na Universidade de Zurique. É isso mesmo, está a caminho da universidade o que até se compreende, pois não dava para esperar até ter a idade conveniente, já que completou o ensino primário em três anos e após quatro anos de escolaridade quis candidatar-se à tal Universidade de Zurique que lhe negou o acesso devido à sua idade e por não ter concluído com sucesso todas as provas do bacharelato. O puto deve ter dito «Ah é só isso? Podiam ter dito logo!» Agora tomem.

O pai de Maximilian, um alemão de 67 anos, é um professor de matemática reformado e a mãe é uma economista de 48. Apesar de terem sido pais tardiamente o seu filho prova que nunca é demasiado tarde para o milagre da vida.

Maximilian não tem muitos amigos, pois não é nada fácil encontrar alguém com quem possa falar sobre Arquimedes! Percebe-se, coitado!

Maximilian Janisch

Vendo bem este era capaz de se dar bem com Xavier Gordon-Brown, outro génio matemático que também já é estudante universitário. Com 12 anos Xavier tem vindo a bater todos os recordes quanto a excelência académica. Aos 10 anos este inglês já tinha decorado perfeitamente os primeiros dois mil dígitos do número infinito Pi.

Só pode usar o telemóvel em situações de emergência e como os pais não o deixam ter Facebook há boas hipóteses de perder este artigo. Pior para ele!

Por agora entretém-se com a estudar estruturas abstratas e a mecânica de Newton, além de outros assuntos de considerável dificuldade.

Xavier Gordon-Brown

Claro que estes dons recaem igualmente sobre meninas e Neha Ramu é a prova disso. Com 12 anos é mais inteligente do que Einstein, pois obteve um resultado de 162 num teste de QI. Estima-se que Einstein tinha um QI de 160.

Esta indiana mudou-se para o Reino Unido com sete anos e os pais, ambos médicos, nunca suspeitaram dos excecionais talentos da filha apesar de ter feito sempre um bom percurso na escola. O seu talento estratosférico só foi descoberto quando num exame de admissão a uma prestigiada escola de raparigas Neha Ramu obteve um resultado perfeito. Dois anos depois realizou um exame na Mensa e obeteve um resultado de 162, o maior valor possível para alguém com menos de 18 anos.

No verão em vez de ir à praia, jogar computador ou pensar em rapazes, Neha Ramu pediu aos pais para passar três semanas num campo académico nos EUA para aprender mais sobre o cérebro e o sistema nervoso. São gostos!

Neha Ramu

A história de Maud Chifamba não deixa de ser tocante. Antes de mais porque passou por várias privações devido à pobreza e à morte dos pais. Ainda assim quebrou recordes académicos e entrou na Universidade do Zimbabué com apenas 14 anos. Parecia condenada a uma vida miserável, mas de facto contra toda a lógica tornou-se a mais jovem estudante de sempre, não só no país, mas também em toda a região sul de África.

Visto ser órfã, estava com os dois irmãos mais velhos, que trabalhavam numa fazenda. Eles não tinham dinheiro para pagar a escola à pequena Maud, mas a jovem estudou completamente sozinha em casa nos anos seguintes, tendo criado uma rotina que lhe permitisse aprender o máximo possível.

O seu comportamento e inteligência impressionaram todos e alguns docentes entraram em contacto com ela com o intuito de a ajudarem a avançar rapidamente, sem com isso receberem apoios financeiros, não estando Maud vinculada a nenhuma escola. Mais tarde, o reitor da Universidade do Zimbabué concedeu à jovem uma bolsa de cerca de 7700 euros.

Realmente é de ficar de boca aberta com tanta perseverança. Assim se engana o destino!

Maud Chifamba

Há ainda a história de um outro jovem que tem de ser lembrada. Os pais de William Kamkwamba, de apenas 14 anos, deixaram de poder suportar a propina anual de 58,5€ (190,18 Reais). Teve então de deixar os estudos, ou melhor teve de deixar de estudar formalmente, porque este jovem na verdade não deixou de estudar. Estudou por conta própria em Masitala, Kasungo, no Malawi, numa biblioteca composta apenas por três estantes. Note-se que isto passou-se no ano de 2002 e a decisão do então jovem William acabou por influenciar de forma muito intensa toda a sua família.

Apesar dos poucos livros disponíveis na biblioteca entre eles estava um manual de instruções básicas sobre utilização de energia. Este livro em particular levou a que William começasse uma série de investigações sobre energia limpa, culminando na construção de um moinho capaz de gerar energia para alimentar as quatro lâmpadas e os dois dos rádios da família. Claro que William não possuía os equipamentos necessários presentes no tal livro, mas isso não foi impedimento de nada. Começou então a recolher sucata na rua, adaptando as peças para realizar um moinho de vento funcional. Isto torna-se ainda mais relevante quando sabemos que no Malawi só 2% da população rural tem eletricidade.

Atualmente William estuda na African Leadership Academy, em Joanesburgo, África do Sul, uma escola que pretende treinar a próxima geração de líderes do continente africano. Vamos esperar e torcer por ele.

William Kamkwambas

Uma coisa é certa: as crianças não deixam de nos surpreender, raio dos putos!

[Continua…]

Opinião

«Adeus» diz-se aos mortos

Sempre ouvi dizer que «adeus» dizemos aos mortos. Não pretendo alongar-me muito, até porque tudo ou quase tudo foi sendo dito ao longo destes dias sobre este assunto. No entanto, importa dizer que só morrem aqueles que se esquecem e dificilmente o «Rei» será esquecido.

O clube e a nação não vão permitir esquecer quem semeou tantas emoções. Nem os adversários esqueceram! Eles que também foram tocados por essas emoções semeadas, porque para haver quem ganhe, tem de haver quem perde. Não foram agraciados pelo dulcíssimo gosto de quem ganha, mas antes pelo sabor acre de quem sofre e ainda assim não odeiam, porque um adversário não é um inimigo e há que reconhecer a grandeza de quem a possui. Não esqueceram passados todos estes anos e estou em crer que não vão fazê-lo! As imagens em Old Trafford e no Santiago Barnabéu não mentem, não foi coisa protocolar, de circunstância. Foi admiração e respeito que guardamos apenas para os nossos… e ele é de todos. Assim são as lendas: como nós, para que nos reconheçamos nessas figuras, mas muito melhor do que nós, porque conseguem feitos que jamais alcançaríamos.

Convém, pois, lembrar as palavras de Manuel Alegre:

Havia nele a máxima tensão.

Como um clássico ordenava a própria força,

sabia a contenção e era explosão,

havia nele o touro e havia corça.

 

Não era só instinto era ciência,

magia e teoria já só prática.

Havia nele a arte e a inteligência

do puro jogo e sua matemática.

 

Buscava o golo mais que golo: só palavra.

Abstracção. Ponto no espaço. Teorema.

Despido do supérfluo rematava

e então não era golo – era poema.

 

Tudo o mais são histórias!