Tag: educação; filhos; cérebro; crianças

Curiosidades

O raio dos putos! – Parte II

Na esperança de que haja ainda mais motivação para aqueles que agora começam este ano letivo continuamos esta pequena viagem que começou aqui. Se na primeira parte desta jornada os protagonistas eram meras crianças, desta vez temos adolescentes especiais, mas que na verdade são como quaisquer outros. Desculpas para o fracasso há muitas porque quem quer consegue!

Nem tudo o que move jovens e crianças geniais nas suas ideias tem um fundamento nobre. Quem conhece a história de Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, sabe que os pressupostos não foram os melhores. O mesmo acontece com um rapaz de apenas 12 anos, cujo nome não foi divulgado, que ao que parece é a mente por trás do ataque a vários websites do governo canadiano durante os protestos de estudantes no Quebec, em 2012. Em troca das informações confidenciais recolhidas o grupo Anonymous dava-lhe jogos, algo bastante apreciado por este rapaz.

De acordo com um especialista da polícia, este jovem já ataca websites desde os nove anos e utilizou três tipos de ataques básicos para conseguir aceder aos servidores, alterá-los e encontrar buracos na segurança das bases de dados. As suas ações representam um prejuízo de 60 mil dólares. Perante o tribunal o rapaz considerou-se culpado de todas as acusações.

atacar sites

 

A jovem norte-americana de apenas 14 anos, Trisha Prabh, é uma estudante como qualquer outra, mas criou um software com o objectivo de combater o cyberbulling, esse inimigo tantas vezes presente, mas que ainda assim permanece invisível. O cyberbullying é uma preocupação cada vez maior entre muitos adolescentes, pais e professores.

A forma que temos de combater o cyberbullying passa quase sempre pelo bloqueio de conteúdos, mas Trisha preferiu apostar na psicologia para tentar contornar esta prática. Assim, em vez de bloquear as mensagens com cariz violento, tenta antes evitar a sua publicação.

A área do cérebro responsável por tomar decisões só está completamente formada aos 25 anos. Assente nesta premissa a jovem Trisha desenvolveu um software que questiona os adolescentes antes de publicarem qualquer tipo de conteúdo na internet. Uma pergunta tão simples como: “Esta mensagem pode ser ofensiva. Gostaria de rever e repensar antes de publicar?” tem mudado a vida de muita gente. Esta é a essência do Rethink que conseguiu reduzir em 93% o número de mensagens ofensivas no grupo de teste da sua escola, em Naperville, no estado do Illinois.

O desejo de Trisha é ver o seu software implementado em redes sociais e sites de modo a produzir os mesmos efeitos positivos que conseguiu ao longo da sua experiência. O “Rethink” foi um dos 15 projetos escolhidos pela Feira de Ciência do Google. A ver vamos.

Trisha Prabh

 

Kelvin Doe, ou DJ Focus como gosta de se apresentar, é um miúdo que com apenas 15 anos construiu, entre outras coisas, um gerador eléctrico capaz de fornecer energia a uma casa e um transmissor FM com peças retiradas do lixo, com o qual faz a animação musical da sua comunidade. Isto só por si já seria extraordinário, mas atendendo que a sua origem é a Serra Leoa torna a coisa ainda mais surpreendente dada a falta de recursos.

É um verdadeiro autodidata e usando peças encontradas no lixo construiu alguns aparelhos tecnológicos capazes de melhorar as condições de vida da sua comunidade. Atualmente desenvolve as suas capacidades no MIT e é o participante mais jovem do programa internacional de visitantes desta instituição.

Kelvin Doe

 

Por estes dias o nome Arjun Nair possui já alguma relevância. Este estudante de 16 anos, por incrível que pareça, inovou no combate ao cancro. O facto de ser aluno do ensino secundário não impediu este jovem canadiano de desenvolver um método que permite uma melhor utilização de nanopartículas de ouro para matar células cancerígenas. O método por si desenvolvido permitiu-lhe obter uma distinção, o primeiro prémio do “Sanofi BioGENEius Challenge Canada”, uma competição ao nível escolar para fomentar a investigação científica. Através do seu método, Arjun desenvolveu uma forma de aumentar a eficácia da terapia fototérmica, um método experimental para combater o cancro. Basicamente trata-se de injetar nanopartículas de ouro no doente e devido à acumulação dessas partículas nas células cancerosas é possível posteriormente aquecer as ditas partículas recorrendo a uma emissão de luz e assim elas atacam as células cancerosas. No seu estudo Arjun demonstra como o antibiótico 17-AAG é capaz de fintar as defesas naturais do cancro, aumentando assim a possibilidade de sucesso da terapia fototérmica, uma vez que um dos principais problemas desta terapia é precisamente a capacidade de as células cancerosas se protegerem contra a destruição por calor.

Para chegar a este ponto, Arjun passou dois anos a pesquisar e em 2012 teve permissão para usar as instalações de dois laboratórios da Universidade de Calgary. Teve ainda alguns conselhos dos responsáveis pelas instalações científicas, Simon Trudel e David Cramb, e fez testes para demonstrar a viabilidade da sua terapia. Finalmente, desenvolveu ainda um modelo matemático que permite avaliar comparativamente os dois tratamentos no plano teórico.

Desde muito novo que Arjun participa em competições científicas, apesar de ter gostos muito semelhantes a qualquer outro adolescente.

Arjun Nair

 

De facto, a motivação é algo muito estranho de se perceber. A motivação de Fred Turner, um jovem inglês com apenas 17 anos, prende-se com o simples facto de tentar compreender por que motivo o seu irmão é ruivo e ele não. Para desvendar este assunto que tanto o intrigava criou o seu próprio laboratório genético na cave e tornou-se o Jovem Engenheiro do Ano do Reino Unido.

Já se sabe que os colegas de escola são cruéis e Fred que o diga! Estava sempre a ouvir insinuações acerca do seu irmão, Gus, de que seriam filhos de pais diferentes, exactamente porque um é ruivo e outro não. No entanto, Fred decidiu provar que as diferenças físicas estavam apenas nos genes de cada um. Para fazer um teste genético ao irmão Fred precisava de uma máquina com tecnologia de reação em cadeia da polimerase (PCR, na sigla inglesa). Através desta técnica, é possível seleccionar e ampliar os genes e zonas específicas de amostras de ADN, de forma a serem analisados, sequenciados e testados. Os modelos mais simples custam entre 2300 e 3300 euros, mas Fred não tinha dinheiro para comprar todo o material necessário. Ainda assim deitou mãos à obra e montou o seu próprio laboratório na cave e construiu o seu próprio modelo recorrendo, entre outras coisas, a peças de electrodomésticos velhos.

Depois de construir a máquina conseguiu finalmente analisar o ADN do irmão e provar que a sua cor de cabelo foi causada pela mutação genética do gene MC1R. Graças à sua persistência a fama depressa o encontrou e foi contactado por interessados no seu modelo. Fred pensa agora em comercializar o seu modelo em forma de “kit”, mas o mais importante é que conseguiu acabar com as piadinhas de que era alvo constantemente. Com este seu projeto concorreu à edição de 2013 da “National Science + Engineering Competition” e foi considerado Jovem Engenheiro do Ano no Reino Unido.

FredTurner

Consciente do potencial dos jovens a Google promove uma feira de ciências para jovens entre 13 e 18 anos, a Google Science Fair, onde premeia os melhores projetos na área da ciência que possam contribuir para melhorar o dia-a-dia das pessoas.

O importante é ser persistente e positivo ou como alguém disse: «Nasci careca, nu e sem dentes. O que vier é lucro!» O raio dos putos!

[Continua…]