Dá que pensar

Bitaites e instigações

Morrer e Renascer constantemente

Vivemos constantemente com o selo de morte, morremos constantemente, mas só alguns aproveitam para renascer frequentemente. Que estranha forma de vida!
Somos os únicos animais que sabemos que vamos morrer, e que a nossa presença é limitada. É limitada em tempo e em espaço. Sonhamos em ter mais e melhor. Ansiamos para que a nossa história seja lembrada por alguém. Sofremos com as perdas, desilusões e pequenas mortes, Criamos projectos, vivemos freneticamente sem tempo para nada. Cuidamos da saúde, evoluímos na medicina, para quê?
Procuramos eternizar uma presença que será sempre efémera, quando curiosamente não se cuida da única coisa que nos pode eternizar: O amor.
Geralmente as pessoas desejam saúde e dinheiro. Sem dúvida coisas essenciais, e que tal desejar ser amado? O que nos diferencia de forma mais intensa e mais profunda dos “outros” é o tal conhecimento que somos finitos, para quê vale ter dinheiro ou poder se tudo acaba? Para que é preciso saúde se ninguém se lembrar de nós depois?
Antropologicamente, Ontologicamente e até Psicologicamente falando podia avançar esta reflexão. Podia lançar-vos uma série de questões e de respostas, que se for da vossa vontade concretizarei. Porem, não de minha vontade para já atingir graus de profundidade demasiado elevados. Reparem, é completamente diferente viver assumindo que estou numa passagem ou que o fim é o vazio completo.
Até agora falei da morte absoluta. Todavia, morremos várias vezes ao longo da nossa vida. Uns de forma mais intensa e frequente do que outros; uns aproveitam melhor essa situação do que outros.

Morremos quando alguém próximo morre, um pouco de nós vai com ele.

“Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
(Antoine de Saint-Exupèry)

Morremos quando temos de mudar. Parte de nós nunca mais volta a viver.

Literatura

Prémio Nobel da Literatura 1998

Corria o ano da graça de 1998 quando um escritor português foi finalmente distinguido com o prémio máximo a nível internacional. Pela primeira vez a Língua Portuguesa abraçava esta distinção, neste mesmo dia 8 de outubro.

 

Sempre crítico nas suas apreciações tem imensas frases memoráveis espalhadas ao longo das suas obras. Nem sempre é fácil lê-las, dão luta, muita luta… mas vencê-las é uma vitória a dobrar.

Em 2008 via assim o seu Nobel:

«Ser Nobel não é a mesma coisa que ser Miss Universo – a Miss Universo assina um contrato e tem de fazer uma quantidade de coisas. Com o Nobel, não há contrato. Dão-to ou não te dão.»

Quem pretender pode aceder aqui ao discurso proferido pelo próprio na Academia Sueca.

Bem-estar

Fazer o Bem só porque sim!

Já confessei aqui que há coisas que me tocam e o porquê.

Depois de ver este vídeo não podia deixar de o partilhar convosco. Acho-o absolutamente genial e apesar de não perceber nada de coreano creio que a mensagem passa muito bem. Sim, porque ele há coisas que são universais e este vídeo embora curto dá que pensar!

Uma pessoa especial disse em tempos «A falta de amor é a maior de todas as pobrezas» e vistas as coisas não se enganou.

Curiosidades

O Sonho Faz Hoje 50 Anos

Faz hoje 50 anos que foi proferido o famoso discurso de Martin Luther King Jr. I have a dream.

Eu tenho um sonho tornou-se numa das frases mais célebres e pertence a um dos grandes discursos da história recente que mudaram o mundo. O curioso é que esta frase não estava sequer prevista no discurso escrito para aquele dia 28 de agosto de 1963. A famosa frase foi acrescentada num momento de puro improviso, talvez devido ao fervor do instante. Os manifestantes dos direitos cívicos reunidos no Lincoln Memorial, em Washington, estavam a participar num momento de viragem histórica.

O discurso completo tem cerca de 17 minutos, mas o excerto abaixo é mais do que suficiente para perceber a importância da ocasião. É momentos destes que mudam o mundo e fazem dele um lugar melhor.

Para explorar um pouco mais esta temática poderão ir até aqui, mas se preferirem apreciar o discurso deixem-se ficar…

 

Curiosidades

Os Piores Ditadores da Era Moderna – Parte III

Aqui fica finalmente a terceira e última parte desta breve reflexão sobre alguns dos piores elementos da História que chegaram ao poder e conseguiram um lugar na história dos seus países ou mesmo da humanidade pelos piores motivos. Se já não se lembram bem do que foi dito, as outras duas partes estão aqui e aqui!

Começando esta última etapa da viagem pela Ásia, não podemos deixar de falar em Kim Il-Sung, o líder da Coreia do Norte desde a fundação do país em 1948 até à data da sua morte em 1994. Estabeleceu o culto da personalidade e o Juche, ou seja, a auto-suficiência, pelo que o seu regime acabou quase completamente com as viagens e trocas culturais entre a Coreia do Norte e o Ocidente.

Kim Il-sung

De acordo com a constituição do país é o Presidente Eterno da Coreia do Norte, sendo feriado as datas do seu nascimento e morte. Estas efemérides foram criadas pelo seu filho Kim Jong-II que o sucedeu no poder da Coreia do Norte até 2011. Este tornou o que era mau em algo pior e construiu um dos regimes mais opressores da atualidade e muito possivelmente da História. A figura do Estimado Líder está omnipresente e usou a sua força para manter a população sob um rígido controlo debaixo das exigências do partido comunista. Parece o decalque das ideias centrais do livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell, mas é a pura e triste realidade.

Kim Jong-II

O pior é que este filme de horror não terminou com a morte do seu protagonista! Após a morte de Kim Jong-II sucedeu-lhe um dos filhos, Kim Jong-un, numa espécie de monarquia, mas em comunista. O puto é o orgulho da família!

Kim Jong-un

Das várias aberrações do regime e da eterna guerra com a Coreia do Sul não podemos deixar de lembrar a lista dos cortes de cabelo permitidos, a qual foi tornada pública recentemente, aplicando-se tanto a homens…

coreia2

…como a senhoras.

North Korean hairstyles in a salon

Uma dezena de modelos para homens e 18 para senhoras, para não terem do que se queixar. Uns e outros sempre nos píncaros das novas tendências em termos de moda. Se repararem, o penteado do líder não respeita esta nova imposição. Há sempre exceções, olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço! De acrescentar ainda que aos norte-coreanos que tentem fugir do país ou usem telemóveis é-lhes sentenciada a pena de morte. Há dúvidas?

Muito recentemente, em 2010, a Primavera Árabe trouxe ventos de forte mudança em muitos regimes totalitários. O primeiro a sentir essa brisa foi Zine El Abidine Ben Ali, líder da Tunísia, se bem se lembram. Após um estudante em protesto se ter imolado pelo fogo o que parecia mais uma morte revelou ser uma brisa, a qual ganhou força transformando-se num vento colossal, depois cresceu e apareceu um tufão enorme que soprou por todo o Norte de África e foi mais além e ao que parece ainda não parou…

zine-el-abidine-ben-ali-tunisie

Estes ventos chegaram não muito tempo depois à Líbia, apesar da forte resistência de Muammar Kadafi. Este é igualmente um desses casos em que a força do povo se sobrepôs à força de um regime bem sedimentado. Quarenta anos de regime não foram suficientes para travar os militantes da oposição que lutaram para libertar o país de um regime autoritário capaz das maiores atrocidades contra o seu próprio povo. Este é, com efeito, um traço muito comum. Teve um triste e merecido fim, morto às mãos do povo de forma vil e inglória. Morreu, talvez, como sempre viveu!

Muammar Kadafi

Outro abominável regime é o do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Este dirigente ocupa o cargo desde 2000, altura em que prometeu uma maior abertura política, porém não foi o que aconteceu. Apesar da violência extrema como forma de repressão, a população revoltou-se e veio para a rua em diversos protestos que começaram por alturas da Primavera Árabe e ainda não tiveram fim. Os opositores deste regime são igualmente oprimidos com violência pelo governo e o último balanço divulgado pela ONU contabiliza mais de 2,2 mil mortos pelas forças militares de Bashar al-Assad. Uma barbaridade à vista de todos que parece não ter fim à vista. O que não falta são atropelos da pior espécie e a comunidade internacional faz de conta que o que se passa não é assim tão grave. Há suspeitas cada vez mais evidentes do uso de armas químicas, mas é como se nada fosse. Por muito menos já se invadiram países!

Bashar al-Assad

Outro líder que abanou com os ventos da Primavera Árabe foi Hosni Mubarak, antigo presidente do Egipto. Pelo que se diz, este ex-Presidente possui 70 mil milhões de dólares (48 mil milhões de euros) para gastar durante a sua reforma. A ser verdade, é de longe o ditador mais rico do mundo com uma grande vantagem sobre os demais. Só para termos noção, Bill Gates tem uma fortuna avaliada em 53 mil milhões de dólares (cerca de 36 mil milhões de euros). Ainda dizem que o crime não compensa…

Merkel Meets With Egyptian President Mubarak

 

Do que fica dito torna possível traçar alguns perfis e não deixa de ser curioso que ao longo da História sempre tenha havido sujeitos que devido às suas posições se deixaram cegar pelo poder que o Poder lhes deu. Alguns deles chegaram ao poder de forma notável e perfeitamente legítima, ascenderam ao cargo de dirigente máximo de um Estado ou nação através de meios legais e, uma vez no poder, gradualmente dissolveram as restrições constitucionais que tal lei lhes estabelecia.

Facto é que indivíduos muito diferentes são descritos como ditadores. Alguns começaram como ministros de governos legalmente estabelecidos, como foi o caso de António Oliveira Salazar, outros entraram logo como ditadores, como Manuel Noriega, ou estratocratas, como Francisco Franco, ou mesmo até comunistas como Fidel Castro.

Há alguns traços comuns a muitos deles. O que se nota com mais facilidade é a brutalidade e opressão com que governam, sendo comum aos ditadores perseguirem seus oponentes ou dissidentes do regime. Outro traço recorrente é a megalomania, já que muitos ditadores instituem um culto à personalidade e se autoconcedem títulos grandiloquentes.

Outro facto curioso é que a associação entre ditadores e militares também é muito comum. Muitos ditadores acham uma certa graça apresentar-se em público com o seu fardamento militar, mesmo que nunca tenham tido uma carreira militar. Será que é para mostrar ao mundo que seu poder foi instituído pela força das armas?

Muitos outros caberiam aqui, mesmo alguns nomes discutíveis como Alberto João Jardim, o major Valentim Loureiro, Pinto da Costa, ou ainda qualquer outra pessoa agarrada a um lugar de poder, sobretudo nas instituições públicas que a tal lei de limitação de mandatos parece não conseguir despegar. Até se pode dizer mais: no limite, vivemos a ditadura perfeita onde pensamos e agimos livremente dando-nos a sensação de que podemos escolher. A prova? A ditadura actual imposta pela escolha ininterrupta entre dois partidos. É preferível pensar que a escolha é nossa, certo?

Lembro apenas que em meados do mês de maio deste ano o mundo acordou um pouquinho melhor com a notícia da morte de Jorge Rafael Videla, antigo ditador argentino. Sempre que a morte nos liberta destes seres há mais um raio de esperança a despontar. Tal como aos outros, que a terra lhe seja igualmente pesada.

Aos que já foram e aos que estão por ir só posso lembrar a citação latina: Sic semper tyrannis.