Dá que pensar

Bitaites e instigações

Dura Praxis, Sed Praxis

Este é um lema, mas convenhamos que esta nem sempre foi dura, e nem sempre é praxe.

Fui praxado na Universidade do Minho, num dos cursos com maior fama na “dureza da praxe”. Estou vivo, andei algumas semanas roto fisicamente e por vezes psicologicamente e faltei imensas vezes. Faltei porque era livre de o fazer, ninguém me comeu, acabei por levar um “castigo” maior no meu baptismo, mas compensou largamente os dias em que não tive de fazer viagens, ou aturar malucos a gritar.

Ser praxado é importante para conhecer pessoas. A universidade é um mundo em que o nosso número nos dá identidade.
A praxe serve para cuidar da forma física e introdução a um novo mundo, realmente duro. Todavia, a meu ver, esta deixa de ser praxe quando o único proposito é humilhar, ou simplesmente alimentar o ego do “burro” que tem 10 matriculas e tem de se sentir realizado de alguma forma.

Fui praxado e também praxei, mas de uma forma que me parecia útil para o caloiro e para mim.

Tem-se falado muito nestes últimos dias sobre “regular a praxe”. Eu fico a pensar e deixo a sugestão : e que tal educar as pessoas? Não se pode privar as pessoas de boa educação (tanto em casa, como na escola) e esperar que como por magia elas se tornem idonias.

Com o passar dos anos, tem-se notado uma clara crise de valores. A praxe contém cada vez mais palavrões e tem-se tornado “badalhoca”. Isto é, a sexualidade, as descriminações sexuais e de género estão cada vez mais patentes e são reflexo de gerações mais rudimentares. Estaremos a caminhar para o nível social da Arabia Saudita? Se for esse o caso chama-se já o Vitor Pereira para Ministro da Educação e metade dos problemas ficam já resolvidos.

 

 

Opinião

«Adeus» diz-se aos mortos

Sempre ouvi dizer que «adeus» dizemos aos mortos. Não pretendo alongar-me muito, até porque tudo ou quase tudo foi sendo dito ao longo destes dias sobre este assunto. No entanto, importa dizer que só morrem aqueles que se esquecem e dificilmente o «Rei» será esquecido.

O clube e a nação não vão permitir esquecer quem semeou tantas emoções. Nem os adversários esqueceram! Eles que também foram tocados por essas emoções semeadas, porque para haver quem ganhe, tem de haver quem perde. Não foram agraciados pelo dulcíssimo gosto de quem ganha, mas antes pelo sabor acre de quem sofre e ainda assim não odeiam, porque um adversário não é um inimigo e há que reconhecer a grandeza de quem a possui. Não esqueceram passados todos estes anos e estou em crer que não vão fazê-lo! As imagens em Old Trafford e no Santiago Barnabéu não mentem, não foi coisa protocolar, de circunstância. Foi admiração e respeito que guardamos apenas para os nossos… e ele é de todos. Assim são as lendas: como nós, para que nos reconheçamos nessas figuras, mas muito melhor do que nós, porque conseguem feitos que jamais alcançaríamos.

Convém, pois, lembrar as palavras de Manuel Alegre:

Havia nele a máxima tensão.

Como um clássico ordenava a própria força,

sabia a contenção e era explosão,

havia nele o touro e havia corça.

 

Não era só instinto era ciência,

magia e teoria já só prática.

Havia nele a arte e a inteligência

do puro jogo e sua matemática.

 

Buscava o golo mais que golo: só palavra.

Abstracção. Ponto no espaço. Teorema.

Despido do supérfluo rematava

e então não era golo – era poema.

 

Tudo o mais são histórias!

Bem-estar

Feliz Ano Novo

A chegada de um novo ano impõe uma série de balanços. Nos primeiros dias do ano que acaba de acabar partilhei nesta página alguns gestos que não saem de moda. Momentos universais imortalizados em imagens, ou como escreveu Saramago num dizer bem mais poético: «de repente, como aos momentos algumas vezes acontece, tornou-se eterno». São estes momentos que acabam por nos trazer algum alento ao espírito neste mundo cada vez mais louco. Apesar de correr o risco de não ser original, creio que este novo ano que agora começa merece igualmente um assomo de esperança. Assim, não posso deixar de partilhar alguns exemplos de como é bom praticar o Bem.

A história de Schoep é bastante comovente, muito por culpa do seu dono! Schoep era um cão com 19 anos que sofria de artrite crónica nas patas e as dores impediam-no de dormir. John Unger, o seu dono, levava-o todos os dias ao rio para que Schoep conseguisse descansar um pouco sem as dores dilacerantes.
Schoep
Há mil e uma formas de o fazer, mas sempre que há surpresa há choradeira garantida… É o poder da genuflexão!

pedido de casamento

Porque o amor é assim mesmo, sem limites nem barreiras! Ahmad e Fatima são felizes a cuidar um do outro. Ahmad não tem braços e Fatima não tem pernas, mas nada disto os impede de viver o sonho.

Ahmad e Fatima
A idade traz problemas bem diferentes daqueles a que estamos habituados. Este casal tenta superar a falta de memória da mulher. Para isso o seu marido ensina-lhe o alfabeto, porque o amor puro e verdadeiro não se esquece.
memória
O amor veste-se de várias formas. Os pais desta criança diabética tatuaram bombas de insulina nas suas barrigas, assim o seu filho já não tem motivos para se sentir diferente.
filho diabético
O amor não tem de ser entre dois géneros diferentes, às vezes aparece assim. Este casal celebrou um dos primeiros casamentos homossexuais em Washington, nos EUA.
casamentos homossexuais
Outro caso de paciência é o de Phyllis Siegel e Connie Kopelov. Este é o primeiro casal do mesmo sexo a casar no estado de Nova Iorque. Parece ter valido a pena.
Phyllis Siegel e Connie Kopelov
Amar é acreditar! Que o diga este marido desesperado que acredita poder encontrar um dador de rim para a sua mulher. Seja onde for que ele esteja há de encontrá-lo!
dador de rim
A forma pouco importa a este casal. Limites? O que é isso?
casal
Quem disse que os fatos de casamento são apenas para um dia? Este casal tem desde sempre os seus fatos de casamento pendurados bem juntinhos.
fatos de casamento
Esta mulher nunca passa uma refeição sozinha. O seu marido, apesar de falecido, acompanha-a sempre.
mulher almoça
60 anos ao lado da mesma pessoa transforma-nos aos olhos do mundo, mas aos olhos do nosso outro eu permanecemos igualmente belos.
60 anos
A morte não foi suficiente para separá-los. Norma e Gordon Yeager estiveram casados durante 72 anos e quando o primeiro decidiu partir o outro teve apenas de esperar uma hora. No preciso momento em que deixavam este mundo tinham as mãos dadas… e assim devem estar agora mesmo!
Norma e Gordon Yeager
O resto pouco importa, porque a vida são dois dias. Um Ano Novo pleno de coisas boas para todos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curiosidades

Publicidades Banidas

A publicidade tem um poder enorme sobre nós, a tal ponto que nós nem sequer nos apercebemos disso. Há inclusivamente um ramo do marketing que se aliou à medicina para descobrir o que faz despertar o interesse dos cérebros dos consumidores para os levar a consumir mais ainda. É o chamado neuromarketing que espero trazer-vos aqui um dia.

O que me faz falar aqui de publicidade é um conjunto de anúncios aos cada vez mais famosos e-cigarros. O facto de terem o seu quê de geniais não impediu que tivessem 147 queixas dos consumidores ingleses o que levou as autoridades a retirar o anúncio do ar. Adoro falsos purismos!

Há para todos os gostos, uma versão em que uma menina deixa a mensagem acerca do produto com uma voz muito lasciva num ambiente bastante sugestivo…

http://www.youtube.com/watch?v=u1hFtNjBR8k

Quero que o tires, quero vê-lo, senti-lo, segurar nele, metê-lo na boca… Quero ver se sabe mesmo bem.

Há igualmente uma versão em que um cavalheiro muito bem-apessoado apresenta o produto de uma forma que não deixa de ser estimulante…

http://www.youtube.com/watch?v=qWawQaT4GA4

Queres vê-lo? Posso tirá-lo, se quiseres. Podes senti-lo, segurar nele, metê-lo na boca e ver como sabe bem.

Estes senhores ingleses decerto que ainda não ouviram uma boa posta da nossa música pimba e se ouviram não perceberam o lá se diz, pois se percebessem iriam queixar-se em pleno bailarico de Verão do Quim Barreiros, da Rosita e de tantos outros que usam a linguagem e os seus múltiplos sentidos.

Bitaites e instigações

A escravidão consentida do Homem Moderno

O tempo passa e cada vez mais observo o Homem a tornar-se escravo de livre e espontânea vontade.

Vejo o Homem escravo da tecnologia, privado do contacto físico, da conversa. No fundo anda tudo entretido com os seus smartphones. Deparo-me com mesas de café cheias de pessoas, mas no fundo ninguém está lá. Está tudo na cloud que o Wifi gratuito lhes proporcionam. Falam por mensagem, fazem “likes” e tiram fotos. Para quê?

O Homem é escravo dos seus vícios. Choca-me quando nos meus passeios a pé observo fumadores a encher esplanadas, a preencher “cantos” de fachada de escritório ou simplesmente a vaguearem nos passeios em frente ao emprego. Vale assim tanto a pena passar frio, gastar dinheiro, perder saúde por uns minutos de privação de Oxigènio? Para quê?

O Homem está viciado em luxuria. Não entendo como num país com tanta crise se venda tanta “tecnologia”, principalmente iphones, ipads, galaxys e todos os seus derivados. O Homem está profundamente viciado em se mostrar. Mostrar produtos que ostentam rótulos e supostamente incrementam status quo. Esses produtos têm algo em comum, para além de ser estupidamente caros, são produtos para usar. Não servem para produzir qualquer tipo de conteúdo, servem somente para usar, consumir, gastar o que outros produziram. Permitam-me aferir que o Homem anda de TV portátil e gosta; gosta tanto que até acha que fica mais esperto com uma no bolso. Porquê?

O Homem está escravo porque não educa nem é educado. Cada vez mais entendo como se cuida de uma criança nos dias de hoje. Basta usar uma das Tvs (smarthpone, canal panda, ipad, o que estiver mais à mão), nunca ensinar o significado da palavra não e enviar os miudos para a escola para os professores acabarem de fazer o serviço em turmas superlotadas.

Ok, se calhar exagerei, mas não se entende a gravidade de uma situação com palmadinhas nas costas. Lembro-me de ter brinquedos que me permitiam produzir como legos, playmobil, pistas de carros, bolas e jogos didacticos variados. Fui e sou uma criança profundamente criativa.Pelo menos tento ainda o ser. Hoje em dia, observo que a PlayStation e a TV resolvem praticamente tudo. No fundo resolvem, roubam toda a criatividade, capacidade deimaginar e de fantasiar. Lembro-me de brincar e imaginar ver coisas, ainda hoje o faço,não preciso de drogas, nem de alcool. As crianças de hoje estão a ser ensinadas a “comprar” o que alguém já imaginou por elas.

A escola pública foi invadida por computadores Magalhães (mal ou menos, aquilo bem encaminhado ainda dá para produzir qualquer coisa naquela torradeira), agora está a ser invadida por tablets (que nem são comparticipados). Parece que os papás querem que os filhos comecem a cultivar o consumismo e o culto do status desde muito novos. Que rico exemplo! Permitam acrescentar que “betinhos” sempre existiram, no meu tempo eram os que vestiam nike dos pés ao pescoço,mas estes acabavam sempre por levar “tanga” e tipicamente eram excluidos pelos miudos mais desenvolvidos.

Como será o Futuro?

Eu não sou escravo. Não compro nada porque me dizem para comprar (sou do pior que um vendedor pode encontrar), abomino o culto do consumismo e sinto-me triste Portugal é um país sem política para a cultura. Aquilo que liberta o ser humano é o conhecimento, a arte, e conhecimento e arte não se devem entender como a facilidade de aceder à Internet.