Category: Opinião

Opinião

«Adeus» diz-se aos mortos

Sempre ouvi dizer que «adeus» dizemos aos mortos. Não pretendo alongar-me muito, até porque tudo ou quase tudo foi sendo dito ao longo destes dias sobre este assunto. No entanto, importa dizer que só morrem aqueles que se esquecem e dificilmente o «Rei» será esquecido.

O clube e a nação não vão permitir esquecer quem semeou tantas emoções. Nem os adversários esqueceram! Eles que também foram tocados por essas emoções semeadas, porque para haver quem ganhe, tem de haver quem perde. Não foram agraciados pelo dulcíssimo gosto de quem ganha, mas antes pelo sabor acre de quem sofre e ainda assim não odeiam, porque um adversário não é um inimigo e há que reconhecer a grandeza de quem a possui. Não esqueceram passados todos estes anos e estou em crer que não vão fazê-lo! As imagens em Old Trafford e no Santiago Barnabéu não mentem, não foi coisa protocolar, de circunstância. Foi admiração e respeito que guardamos apenas para os nossos… e ele é de todos. Assim são as lendas: como nós, para que nos reconheçamos nessas figuras, mas muito melhor do que nós, porque conseguem feitos que jamais alcançaríamos.

Convém, pois, lembrar as palavras de Manuel Alegre:

Havia nele a máxima tensão.

Como um clássico ordenava a própria força,

sabia a contenção e era explosão,

havia nele o touro e havia corça.

 

Não era só instinto era ciência,

magia e teoria já só prática.

Havia nele a arte e a inteligência

do puro jogo e sua matemática.

 

Buscava o golo mais que golo: só palavra.

Abstracção. Ponto no espaço. Teorema.

Despido do supérfluo rematava

e então não era golo – era poema.

 

Tudo o mais são histórias!

Bem-estar

Feliz Ano Novo

A chegada de um novo ano impõe uma série de balanços. Nos primeiros dias do ano que acaba de acabar partilhei nesta página alguns gestos que não saem de moda. Momentos universais imortalizados em imagens, ou como escreveu Saramago num dizer bem mais poético: «de repente, como aos momentos algumas vezes acontece, tornou-se eterno». São estes momentos que acabam por nos trazer algum alento ao espírito neste mundo cada vez mais louco. Apesar de correr o risco de não ser original, creio que este novo ano que agora começa merece igualmente um assomo de esperança. Assim, não posso deixar de partilhar alguns exemplos de como é bom praticar o Bem.

A história de Schoep é bastante comovente, muito por culpa do seu dono! Schoep era um cão com 19 anos que sofria de artrite crónica nas patas e as dores impediam-no de dormir. John Unger, o seu dono, levava-o todos os dias ao rio para que Schoep conseguisse descansar um pouco sem as dores dilacerantes.
Schoep
Há mil e uma formas de o fazer, mas sempre que há surpresa há choradeira garantida… É o poder da genuflexão!

pedido de casamento

Porque o amor é assim mesmo, sem limites nem barreiras! Ahmad e Fatima são felizes a cuidar um do outro. Ahmad não tem braços e Fatima não tem pernas, mas nada disto os impede de viver o sonho.

Ahmad e Fatima
A idade traz problemas bem diferentes daqueles a que estamos habituados. Este casal tenta superar a falta de memória da mulher. Para isso o seu marido ensina-lhe o alfabeto, porque o amor puro e verdadeiro não se esquece.
memória
O amor veste-se de várias formas. Os pais desta criança diabética tatuaram bombas de insulina nas suas barrigas, assim o seu filho já não tem motivos para se sentir diferente.
filho diabético
O amor não tem de ser entre dois géneros diferentes, às vezes aparece assim. Este casal celebrou um dos primeiros casamentos homossexuais em Washington, nos EUA.
casamentos homossexuais
Outro caso de paciência é o de Phyllis Siegel e Connie Kopelov. Este é o primeiro casal do mesmo sexo a casar no estado de Nova Iorque. Parece ter valido a pena.
Phyllis Siegel e Connie Kopelov
Amar é acreditar! Que o diga este marido desesperado que acredita poder encontrar um dador de rim para a sua mulher. Seja onde for que ele esteja há de encontrá-lo!
dador de rim
A forma pouco importa a este casal. Limites? O que é isso?
casal
Quem disse que os fatos de casamento são apenas para um dia? Este casal tem desde sempre os seus fatos de casamento pendurados bem juntinhos.
fatos de casamento
Esta mulher nunca passa uma refeição sozinha. O seu marido, apesar de falecido, acompanha-a sempre.
mulher almoça
60 anos ao lado da mesma pessoa transforma-nos aos olhos do mundo, mas aos olhos do nosso outro eu permanecemos igualmente belos.
60 anos
A morte não foi suficiente para separá-los. Norma e Gordon Yeager estiveram casados durante 72 anos e quando o primeiro decidiu partir o outro teve apenas de esperar uma hora. No preciso momento em que deixavam este mundo tinham as mãos dadas… e assim devem estar agora mesmo!
Norma e Gordon Yeager
O resto pouco importa, porque a vida são dois dias. Um Ano Novo pleno de coisas boas para todos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Curiosidades

Publicidades Banidas

A publicidade tem um poder enorme sobre nós, a tal ponto que nós nem sequer nos apercebemos disso. Há inclusivamente um ramo do marketing que se aliou à medicina para descobrir o que faz despertar o interesse dos cérebros dos consumidores para os levar a consumir mais ainda. É o chamado neuromarketing que espero trazer-vos aqui um dia.

O que me faz falar aqui de publicidade é um conjunto de anúncios aos cada vez mais famosos e-cigarros. O facto de terem o seu quê de geniais não impediu que tivessem 147 queixas dos consumidores ingleses o que levou as autoridades a retirar o anúncio do ar. Adoro falsos purismos!

Há para todos os gostos, uma versão em que uma menina deixa a mensagem acerca do produto com uma voz muito lasciva num ambiente bastante sugestivo…

http://www.youtube.com/watch?v=u1hFtNjBR8k

Quero que o tires, quero vê-lo, senti-lo, segurar nele, metê-lo na boca… Quero ver se sabe mesmo bem.

Há igualmente uma versão em que um cavalheiro muito bem-apessoado apresenta o produto de uma forma que não deixa de ser estimulante…

http://www.youtube.com/watch?v=qWawQaT4GA4

Queres vê-lo? Posso tirá-lo, se quiseres. Podes senti-lo, segurar nele, metê-lo na boca e ver como sabe bem.

Estes senhores ingleses decerto que ainda não ouviram uma boa posta da nossa música pimba e se ouviram não perceberam o lá se diz, pois se percebessem iriam queixar-se em pleno bailarico de Verão do Quim Barreiros, da Rosita e de tantos outros que usam a linguagem e os seus múltiplos sentidos.

Bem-estar

Fazer o Bem só porque sim!

Já confessei aqui que há coisas que me tocam e o porquê.

Depois de ver este vídeo não podia deixar de o partilhar convosco. Acho-o absolutamente genial e apesar de não perceber nada de coreano creio que a mensagem passa muito bem. Sim, porque ele há coisas que são universais e este vídeo embora curto dá que pensar!

Uma pessoa especial disse em tempos «A falta de amor é a maior de todas as pobrezas» e vistas as coisas não se enganou.

Curiosidades

Os Piores Ditadores da Era Moderna – Parte III

Aqui fica finalmente a terceira e última parte desta breve reflexão sobre alguns dos piores elementos da História que chegaram ao poder e conseguiram um lugar na história dos seus países ou mesmo da humanidade pelos piores motivos. Se já não se lembram bem do que foi dito, as outras duas partes estão aqui e aqui!

Começando esta última etapa da viagem pela Ásia, não podemos deixar de falar em Kim Il-Sung, o líder da Coreia do Norte desde a fundação do país em 1948 até à data da sua morte em 1994. Estabeleceu o culto da personalidade e o Juche, ou seja, a auto-suficiência, pelo que o seu regime acabou quase completamente com as viagens e trocas culturais entre a Coreia do Norte e o Ocidente.

Kim Il-sung

De acordo com a constituição do país é o Presidente Eterno da Coreia do Norte, sendo feriado as datas do seu nascimento e morte. Estas efemérides foram criadas pelo seu filho Kim Jong-II que o sucedeu no poder da Coreia do Norte até 2011. Este tornou o que era mau em algo pior e construiu um dos regimes mais opressores da atualidade e muito possivelmente da História. A figura do Estimado Líder está omnipresente e usou a sua força para manter a população sob um rígido controlo debaixo das exigências do partido comunista. Parece o decalque das ideias centrais do livro Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell, mas é a pura e triste realidade.

Kim Jong-II

O pior é que este filme de horror não terminou com a morte do seu protagonista! Após a morte de Kim Jong-II sucedeu-lhe um dos filhos, Kim Jong-un, numa espécie de monarquia, mas em comunista. O puto é o orgulho da família!

Kim Jong-un

Das várias aberrações do regime e da eterna guerra com a Coreia do Sul não podemos deixar de lembrar a lista dos cortes de cabelo permitidos, a qual foi tornada pública recentemente, aplicando-se tanto a homens…

coreia2

…como a senhoras.

North Korean hairstyles in a salon

Uma dezena de modelos para homens e 18 para senhoras, para não terem do que se queixar. Uns e outros sempre nos píncaros das novas tendências em termos de moda. Se repararem, o penteado do líder não respeita esta nova imposição. Há sempre exceções, olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço! De acrescentar ainda que aos norte-coreanos que tentem fugir do país ou usem telemóveis é-lhes sentenciada a pena de morte. Há dúvidas?

Muito recentemente, em 2010, a Primavera Árabe trouxe ventos de forte mudança em muitos regimes totalitários. O primeiro a sentir essa brisa foi Zine El Abidine Ben Ali, líder da Tunísia, se bem se lembram. Após um estudante em protesto se ter imolado pelo fogo o que parecia mais uma morte revelou ser uma brisa, a qual ganhou força transformando-se num vento colossal, depois cresceu e apareceu um tufão enorme que soprou por todo o Norte de África e foi mais além e ao que parece ainda não parou…

zine-el-abidine-ben-ali-tunisie

Estes ventos chegaram não muito tempo depois à Líbia, apesar da forte resistência de Muammar Kadafi. Este é igualmente um desses casos em que a força do povo se sobrepôs à força de um regime bem sedimentado. Quarenta anos de regime não foram suficientes para travar os militantes da oposição que lutaram para libertar o país de um regime autoritário capaz das maiores atrocidades contra o seu próprio povo. Este é, com efeito, um traço muito comum. Teve um triste e merecido fim, morto às mãos do povo de forma vil e inglória. Morreu, talvez, como sempre viveu!

Muammar Kadafi

Outro abominável regime é o do presidente da Síria, Bashar al-Assad. Este dirigente ocupa o cargo desde 2000, altura em que prometeu uma maior abertura política, porém não foi o que aconteceu. Apesar da violência extrema como forma de repressão, a população revoltou-se e veio para a rua em diversos protestos que começaram por alturas da Primavera Árabe e ainda não tiveram fim. Os opositores deste regime são igualmente oprimidos com violência pelo governo e o último balanço divulgado pela ONU contabiliza mais de 2,2 mil mortos pelas forças militares de Bashar al-Assad. Uma barbaridade à vista de todos que parece não ter fim à vista. O que não falta são atropelos da pior espécie e a comunidade internacional faz de conta que o que se passa não é assim tão grave. Há suspeitas cada vez mais evidentes do uso de armas químicas, mas é como se nada fosse. Por muito menos já se invadiram países!

Bashar al-Assad

Outro líder que abanou com os ventos da Primavera Árabe foi Hosni Mubarak, antigo presidente do Egipto. Pelo que se diz, este ex-Presidente possui 70 mil milhões de dólares (48 mil milhões de euros) para gastar durante a sua reforma. A ser verdade, é de longe o ditador mais rico do mundo com uma grande vantagem sobre os demais. Só para termos noção, Bill Gates tem uma fortuna avaliada em 53 mil milhões de dólares (cerca de 36 mil milhões de euros). Ainda dizem que o crime não compensa…

Merkel Meets With Egyptian President Mubarak

 

Do que fica dito torna possível traçar alguns perfis e não deixa de ser curioso que ao longo da História sempre tenha havido sujeitos que devido às suas posições se deixaram cegar pelo poder que o Poder lhes deu. Alguns deles chegaram ao poder de forma notável e perfeitamente legítima, ascenderam ao cargo de dirigente máximo de um Estado ou nação através de meios legais e, uma vez no poder, gradualmente dissolveram as restrições constitucionais que tal lei lhes estabelecia.

Facto é que indivíduos muito diferentes são descritos como ditadores. Alguns começaram como ministros de governos legalmente estabelecidos, como foi o caso de António Oliveira Salazar, outros entraram logo como ditadores, como Manuel Noriega, ou estratocratas, como Francisco Franco, ou mesmo até comunistas como Fidel Castro.

Há alguns traços comuns a muitos deles. O que se nota com mais facilidade é a brutalidade e opressão com que governam, sendo comum aos ditadores perseguirem seus oponentes ou dissidentes do regime. Outro traço recorrente é a megalomania, já que muitos ditadores instituem um culto à personalidade e se autoconcedem títulos grandiloquentes.

Outro facto curioso é que a associação entre ditadores e militares também é muito comum. Muitos ditadores acham uma certa graça apresentar-se em público com o seu fardamento militar, mesmo que nunca tenham tido uma carreira militar. Será que é para mostrar ao mundo que seu poder foi instituído pela força das armas?

Muitos outros caberiam aqui, mesmo alguns nomes discutíveis como Alberto João Jardim, o major Valentim Loureiro, Pinto da Costa, ou ainda qualquer outra pessoa agarrada a um lugar de poder, sobretudo nas instituições públicas que a tal lei de limitação de mandatos parece não conseguir despegar. Até se pode dizer mais: no limite, vivemos a ditadura perfeita onde pensamos e agimos livremente dando-nos a sensação de que podemos escolher. A prova? A ditadura actual imposta pela escolha ininterrupta entre dois partidos. É preferível pensar que a escolha é nossa, certo?

Lembro apenas que em meados do mês de maio deste ano o mundo acordou um pouquinho melhor com a notícia da morte de Jorge Rafael Videla, antigo ditador argentino. Sempre que a morte nos liberta destes seres há mais um raio de esperança a despontar. Tal como aos outros, que a terra lhe seja igualmente pesada.

Aos que já foram e aos que estão por ir só posso lembrar a citação latina: Sic semper tyrannis.