Category: Estorias da História

Curiosidades

Os Piores Ditadores da Era Moderna – Parte I

O termo ditador vem já da Roma antiga, mas na altura não tinha a conotação negativa que tem nos nossos dias. Na acepção moderna, desde o séc. XX, este termo é geralmente usado para descrever um líder cujo poder pessoal é de tal ordem que lhe permite fazer leis, sem que exista um Poder Legislativo independente como exige a democracia moderna.

A viagem proposta para hoje é pensar um pouco sobre os ditadores da era moderna, especialmente os que morreram recentemente ou estão ainda no ativo, mas que deixam/deixaram seguramente a sua marca nos povos que governam/governaram ou mesmo na humanidade de uma forma mais lata.

Alargando um pouco a malha, até podemos afirmar que um ditador é todo aquele que se encontra há demasiado tempo num lugar de comando. Todavia, o que importa aferir é como saber quantificar esse há demasiado tempo? Recentemente morreu mais um e, apesar de não ser bonito de se dizer, o dia em que um ditador morre, não pode deixar de ser um bom dia! A novela Chávez já era rica o bastante, mas como estava a ter muita audiência toca de acrescentar mais uns episódios com a questão do vamos embalsamar o homem; afinal já não o embalsamamos… mas já lá iremos. Antes temos uma viagem rápida pelo séc. XX…

O séc. XX foi bastante rico em regimes totalitários em diferentes continentes, cujas motivações eram igualmente distintas, mas os resultados eram sensivelmente os mesmos: uma mortandade ignóbil.

Começando pelo Oriente, são atribuídas a Chiang Kai-Shek cerca de 10 milhões de mortes desde que liderou o governo nacionalista chinês a partir de 1928, altura em que incitou um golpe de estado que veio a revelar-se como um dos mais sangrentos de sempre. Não satisfeito por massacrar milhares de militantes comunistas, mergulhou o país numa guerra civil, da qual o general viria a sair derrotado, tendo fugido para Taiwan, mas como não lhe perdeu o jeito exterminou aí cerca de 20 mil habitantes. Chiang Kai-Shek governou Taiwan durante cerca de três décadas, num regime marcado por homicídios coletivos, torturas, corrupção, repressão e prisões sem julgamento.

Chiang-Kai-Shek

Ali pertinho, no Japão, Hideki Tojo, mesmo antes de ser o primeiro-ministro japonês durante o período da Segunda Guerra Mundial, tinha já no seu currículo bárbaros massacres contra a população da Manchúria. Foi aliado dos regimes nazi e fascista, originando o designado Eixo. Ao que parece terá sido responsável por aproximadamente quatro milhões de mortes.

Hideki Tojo

Mussolini tinha o desígnio quase poético de fazer com que a Itália regressasse à grandeza do Império Romano e pelo caminho ll Duce deixou um rasto de crueldades. Foi uma das grandes figuras da criação do Fascismo, sendo enforcado pelos rebeldes, em 1945, pendurado de cabeça para baixo para exibição pública. Assim ao menos ninguém ficou na dúvida. Seria tão bom voltar a executar os facínoras da pátria!

Mussolini

Hitler foi um marco do século XX por ter sido um dos mais terríveis líderes totalitários do século XX. Chegou ao poder sensivelmente em 1930 e manteve-se até 1945 e durante este período, especialmente na Segunda Grande Guerra, foi responsável pela morte de cerca de seis milhões de pessoas, embora haja quem defenda que 21 milhões de mortes é um número mais aproximado da verdade. Não sei se eram pessoas para ele já que eram seres inferiores. Destacam-se judeus, negros, homossexuais e outras minorias que não se encaixavam no que o Führer chamava de raça ariana. O genocídio perpetrado por este líder está entre os momentos de maior terror da história da humanidade.

adolf_hitler

Um pouquinho mais ao lado estava José Estaline, o líder máximo da União Soviética (URSS) entre 1920 e 1950. Ao longo da sua governação promoveu sempre a industrialização do país ao mesmo tempo que implementava medidas que vieram a culminar na criação de um estado de terror policial. Antes e depois da Segunda Grande Guerra o homem de aço, como era conhecido, levou a cabo uma série de deportações, prisões e execuções de opositores ao regime comunista. De acordo com informações do arquivo oficial do governo Russo, as vítimas desta conduta passaram dos três milhões, sendo que 800 mil pessoas foram executadas. Há quem afirme que os números são bem maiores, algo próximo dos 43 milhões de vítimas, sendo um dos ditadores mais sanguinários de sempre.

José Estaline

Noutro continente ainda reinava o médico François Duvalier, o qual começou por se destacar na profissão ao lidar com questões de saúde pública no Haiti. Entre 1930 e 1940 Duvalier trabalhou em hospitais da capital, Porto Príncipe, ajudando a combater doenças tropicais como a malária e a febre-amarela. Nessa altura era chamado carinhosamente pelos seus pacientes de Papa Doc (algo como papá doutor). Entretanto, ao ascender à política e assumir o governo do Haiti, em 1957, Duvalier aos poucos concentrou o poder em torno de si e exterminou os seus opositores. Instaurou um governo baseado na força, exercida principalmente pela Milícia de Voluntários da Segurança Nacional. Os soldados eram comumente conhecidos como touton macoute, expressão que remete para uma figura como a do bicho-papão e serviam para muito mais do que obrigar os meninos a papar a sopa toda!

Dr Francois Duvalier President of Haiti 1st December 1957 Haiti / Mono Print

Saltando novamente de continente, Mao Tsé-Tung é considerado o maior ditador de sempre, sendo o responsável por cerca de 77 milhões de mortes. Foi Presidente da República Popular da China entre 1949 e 1959 e foi líder do Partido Comunista Chinês até à sua morte, em 1976. Tendo instaurado um regime de terror, que levou à execução de vários inimigos políticos, o ditador veio a lançar, nos anos 50, uma reforma agrária que originou a maior onda de fome da História da Humanidade.

Mao Tse Tung

Ne Win foi ditador da Birmânia, ou Myanmar, entre 1962 e 1988 e deve ter sido o líder mais supersticioso da história. Mudou as moedas do país e toda a nação birmanesa perdeu as poupanças, apenas e só porque Win acreditava que viveria 90 anos se fizesse isso. Também mudou as estradas do país da antiga forma esquerda para a direita, pois preocupava-o o facto de o seu regime comunista se inclinar de mais para o lado esquerdo. Segundo dizem até tomava banho com sangue de golfinho.

Ne Win

Mudando de ares apresento-vos Saloth Sar que ficou conhecido como Pol Pot, nome que adotou pouco antes de assumir o poder no Camboja. Pot governou aquele país asiático sensivelmente durante a década de 70. Só precisou de 16 anos para fazer as maiores atrocidades já cometidas. Em apenas quatro anos, entre 1975 e 1979, o regime comunista de Pot executou cerca de dois milhões de pessoas, quase 25% da população do país naquela altura. A maioria das vítimas fazia parte do governo anterior: funcionários públicos, policias, militares e professores. Ora aqui está uma excelente receita para o nosso Vítor Gaspar aplicar! Para além do homicídio de milhões de pessoas este governante mergulhou o país no caos económico, originando uma vaga de fome e de doenças. As consequências do seu regime, marcado por uma profunda repressão política, são ainda mais do que visíveis no Camboja dos dias de hoje.

Saloth-Sar-or-Pol-Patt

Esta personagem é menos conhecida, mas Jean-Bedel Bokassa merece aqui algum destaque pelas excêntricas atrocidades cometidas enquanto imperador da República Centro-Africana, entre 1976 e 1979. Ao longo da sua vida teve 17 esposas e nada menos do que 50 filhos, mas isso não o impediu de, ironicamente, proibir a poligamia no país. Decerto que foi um ato de bondade, pois ele melhor do que ninguém deveria saber o quão difícil é aturar tanta mulher junta. O curioso é que há inúmeros relatos deste senhor contra crianças. Por exemplo, prendeu 180 e visitava-as só para agredi-las. Há mais: ao que parece esmagou o crânio de cinco filhos com uma bengala e há mesmo testemunhos de que também teria comido bebés humanos. Não consta que fosse comunista, mas parece que comia criancinhas ao pequeno-almoço.

Jean-Bedel Bokassa

Noutro ponto do globo, sensivelmente na mesma altura, Augusto Pinochet foi, entre outros títulos que acumulou, presidente do Chile entre 1973 e 1990. Depois de deixar o poder permaneceu como chefe das forças armadas até 1998. Durante o seu governo ficou conhecido pela violência e ao que parece foi responsável pela morte de quase três mil opositores e prendeu e torturou mais de 30 mil pessoas. Pinochet respondeu a vários processos por violação dos direitos humanos, mas nunca chegou a ser condenado, uma vez que a sua saúde debilitada o impedia de comparecer às audiências. Morreu em 2006, depois de assumir a responsabilidade pelas mortes durante o seu governo, dizendo que agiu com patriotismo, pois claro. A maior das ironias é que Pinochet morreu a 10 de dezembro, data adotada pela ONU como o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Mais um motivo para celebrar este dia!

Augusto-Pinochet

Como estava muito na moda ser ditador a lista tem ainda muitos mais nomes e as atrocidades também não param, mas para isso nada melhor do que aguardar pela segunda parte…