Parem com Standards e Normalizações
- By Marco Esteves
- 22 March, 2013
- 3 Comments
Aproveito este momento para agradecer a todos os leitores que se mantiveram fieis durante este período de mudança do site, e este artigo marcará o meu novo começo. Desde já agradeço os vossos comentários, estes são a principal fonte de motivação para se escrever, para partilhar momentos, para dar conselhos, para exorcizar perturbações …
Este artigo é um profundo apelo à não normalização, ao não julgar a parte pelo todo, ao não quereremos que os outros se comportem da mesma forma como nos comportamos, simplesmente para nos sentirmos melhor. Em suma, um apelo ao não egoísmo e à multiplicidade de objetivos de vida.
Há sempre uma distância entre aquilo que se pensa, aquilo que se diz e aquilo que se faz. Por ventura essa “distância” poderia ser tida como um bom indicador de coerência e integridade de um dado individuo, mas este assunto per si daria um artigo, quiçá um livro. Também se pode acrescentar que há uma pequena linha que separa aquilo que desejamos daquilo que precisamos, este assunto não daria um livro, daria uma coleção.
Já escrevi várias vezes sobre o comportamento do individuo, da “sociedade” e da forma como tudo se conjuga. Porém, acho pertinente voltar a tocar em alguns pontos que não foram tão bem explorados no passado.
Pensem comigo. Vivemos numa sociedade em que é de senso-comum que o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e outras drogas são prejudicais à saúde individual e muitas vezes de quem rodeia. A mesma sociedade identificou como a obesidade como a epidemia do século XXI, que o consumo de gorduras saturadas, a alimentação desequilibrada centrada em grandes refeições é prejudicial, que o consumo de sal causa hipertensão, que o colesterol elevado é um potencial catalisador de doenças cardiovasculares. Posso ainda acrescentar que a mesma sociedade apela à prática de exercício físico no combate às doenças cardiovasculares, como antagonismo ao elevado sedentarismo de algumas profissões.
Até aqui, tudo bem, falei da sociedade racional, o problema é quando o raciocínio escasseia. Quem faz o que está correto é tratado como se fosse um terrorista antissocial, que vive de forma errada e extremista. Quem não bebe álcool é pseudoexcluído porque “não se sabe divertir”. Será diversão beber bebidas alcoólicas? Será assim tão saudável ou feliz quem necessita de beber para dizer o que sente, ou para se conseguir rir do outro bem como dele próprio? Não me parece. Parece-me que o álcool é um “desinibidor” para quem vive inibido no seu “eu”.
Quem come da forma correta é apontado como exagerado, mas quem pesa cerca de 100 toneladas e que nos custa (ou irá custar) dinheiro dos impostos no tratamento de diabetes e outras doenças não é chamado à atenção e é muitas vezes acolhido com o carinho, no fundo é o “gordo”, a que todos que pesem somente 50 toneladas se sentem bem só por estar ao lado. Ao mesmo tempo condena-se veemente quem come de forma regrada, adequada, mas no fundo a maioria deseja ter os níveis de colesterol, glicemia, triglicerídeos e até mesmo o corpo que as pessoas regradas conquistam.
Estará assim tão deslocado quem come para se “nutrir”, com gosto pelo que come, não pela quantidade com que come? Estará assim tão deslocado quem encontra no que come e bebe uma forma de obter prazer em coisas que realmente interessam, por contraste no consolo que a comida poderá oferecer a egos mais fragilizados?
Poderia progresso com as antíteses constantes de uma sociedade embebida em sentimentos de inveja, impotência e desmotivação, a mesma que vive no pleonasmo do “vou ir”, mas não me apetece. Sinto-me muitas vezes “sozinho” no barco da coerência entre o penso, digo e falo.
Não pretendo mudar o vosso mundo, aliás, a primeira reação que todo o ser humano tem quando lhe tentam mudar as “bases de entendimento” é reagir em repudia, espero que pelo menos tentei entender que há várias formas de “felicidade” diferentes das standardizadas ou normalizadas por uma sociedade imperfeita feita de ser seres imperfeitos…







Não, claro que não é mau estar sozinho quando isso é por opção
Os fumadores… “quem corre por gosto não cansa”
Quando a alimentação é normalmente regrada, fazer umas “loucuras” de vez em quando não mata, mais, devem mesmo fazer-se ou então quem não o faz é tão escravo da alimentação como os que são completamente desregrados a comer.
Como, obviamente, não pode fazer receitas nem exercícios individuais parta do princípio que está a falar para pessoas que querem aprender a comer (vamos partir do princípio que até conseguem fazer intervalos de 2/3 horas entre refeições). Venham de lá as sugestões e as receitas…
Olá
A minha ausência de escrita também se deveu ao tempo que foi necessário despender na remodelação estética e funcional do blog. Não se pode ter tudo!
Eu sinto-me sozinho muitas vezes, simplesmente porque a condição humana é naturalmente estúpida. Quem é estúpido menos vezes que a média tem de arcar com a consequência e aceitar, não é mau estar sozinho =)
Eu posso meter a questão das dependências no mesmo “saco”. Não vejo qualquer tipo de mal no consumo de bebidas alcoólicas, desde que se assumam as consequências, e que o consumo seja para simplesmente consumo.
A questão da gestão da dependência do álcool, comida ou outro comportamento aditivo é mais profunda do que a superficialidade se olha. Vejamos por exemplo o tabaco; os fumadores no Inverno são verdadeiros escravos do seu vício ficando muitas vezes à porta de edifícios ao vento e à chuva, e esse desconforto é importante? È sempre relativizando em função do que lhes traz conforto.
Eu falei e exagerei do caso em que a obesidade é uma opção, e que ser diabético é uma opção. Há raras excepções que as há.
Obviamente que também criei uma imagem exagerada em relação à comida para chocar, não é possível negar a capacidade de mudança que uma refeição tem ao nível de convívio social, resolução de negócios ou até religiosos, como por exemplo a Eucaristia.
Sim, eu sei o que prometi, mas é extremamente complicado passar receitas genéricas, quando os casos são mesmo particulares. O estilo de vida saudável parte do pensamento saudável e não posso ser “psicólogo online”. Se o individuo está livre de dependências em relação á comida, isto é, se esta não é vista como conforto, compensação ou simplesmente fonte de prazer, é muito simples ensinar a comer. Caso contrário é complicado romper com zonas de conforto, quando não há predisposição à mudança.
O exercício físico é o complemento natural para o ser humano evoluído, na minha humilde opinião. Um ser humano evoluído não vive em negação perante a sua antropologia: o nosso corpo é para ter atividade, a comida é um meio para nos mantermos ativos.
Eu gosto de andar, mas nem considero isso exercício. =)
Olá Marco!
Ainda bem q voltou a escrever. Eu sou uma das leitoras que estranhou a vossa ausência
. Como já disse, e repito, gosto de “passar” pelo vosso blog porque umas vezes aprendo, outras partilho de opiniões (ou não
) e outras ainda “dão-me que pensar”
Quanto ao seu artigo vamos lá por partes:


1) Não se sinta “sozinho” no barco da coerência entre o que pensa, diz e fala – ainda há mais 3 ou 4 que também o fazem
2) Quem ainda não percebeu que não é preciso beber para se divertir tem de ser muito burro… e muitas das vezes o álcool não dá para rir e sim para chorar… E, ó muito me engano, ou há para aí muito boa gente que nem mesmo depois de beber se consegue rir de si próprio. Além disso, é sempre bom ter alguém no grupo que possa conduzir o carro…
3) Dizer o que se pensa e o que se sente é normalmente considerado “inconveniente”, daí que os que bebem têm uma desculpa que os outros não têm
4)Nem todos os diabéticos o são por obesidade… mas sim, a obesidade pode gerar a diabetes
E, já que estamos a falar de estilos de vida saudáveis, há cerca de um ano o Marco prometeu que ia fazer uma série de artigos, desde dietas saudáveis a exercícios, para nos (aos leitores) ajudar. Pois… eu estou à espera
Mas vai ter de se “esmerar”
porque alguns dos alimentos que ajudam a evitar/diminuir o colesterol fazem aumentar o ácido úrico (e vice-versa)
), e não vale dizer para andar que isso eu já faço…
Fico a aguardar as receitas e os exercícios (fáceis se faz favor que eu sou muito preguiçosa
Boa sorte para o vosso “renovado” blog!